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EDITORIAL

Energia que queremos

O fato é que a Elektro, independentemente das explicações que presta às autoridades constit2uídas do município, deve e precisa investir na melhoria da

11 MAR 2017 - 09h:59Por Redação

Para aproveitar a força de geração de eletricidade das águas dos saltos de Urubupungá no rio Paraná e Itapura no rio Tietê construiu-se as hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira. Em seu livro “A Margem da História”, Euclides da Cunha, registra o vaticínio do engenheiro Hermilio Alves, que ao avaliar as forças dessas quedas, escrevendo sobre elas, disse: que na região “erguer-se-ia uma cidade opulentíssima do futuro”. Sem dúvida essa afirmação antevendo o desenvolvimento e o progresso que bafejariam a região foi mais do que acertada. Entre estas cidades, Três Lagoas se destaca pela vocação revelada para abrigar indústrias de todos os portes.

Hoje ultrapassamos a casa de sessenta. Seria repetitivo destacar quais indústrias que para cá vieram atraídas pela proximidade com os grandes centros e portos, visando o escoamento da produção. A logística que disponibiliza para o transporte rodoviário e fluvial e ferroviário foi de relevante importância para a decisão de instalação de indústrias em Três Lagoas e aqui se erguer um dos polos industriais mais importantes do Brasil. Certamente, pesou na decisão dos investidores que aportaram seus capitais no município. Mas a energia elétrica, foi o que mais contou no peso da decisão considerando-se a sua extrema importância. Há de se lembrar, que concluída a usina de Jupiá, a Celusa, hoje, Centrais Elétricas de São Paulo, ocupou lugar da Usina de Itapura de propriedade do grande brasileiro, Elóy de Miranda Chaves, considerado o pai da legislação previdenciária no país.

Substituída a energia de Itapura considerada à época, precária para abastecer Três Lagoas, até porque sua rede de transmissão não resistia a fortes ventos e chuvas e vez por outra deixava a nossa urbe de pouco mais de quarenta mil habitantes às escuras. A Cesp assumiu a distribuição no município como concessionário deste serviço porque encampou a Usina de Itapura. Passados anos, transferiu os encargos da distribuição de energia do município para a Elektro, que infelizmente não acompanha o desenvolvimento de Três Lagoas e deixa a desejar pela falta de investimentos necessários para atender as necessidades do desenvolvimento que hoje experimentamos como município que se coloca entre os três primeiros do país na geração de emprego. Entretanto, essa falta de investimento e melhoria na rede de distribuição da cidade pela Elektro vem comprometendo o pleno funcionamento de estabelecimentos comerciais e de indústrias no distrito industrial, onde algumas delas até pouco tempo tiveram que locar conjuntos geradores para impulsionar suas máquinas de transformação em bens industrializados. A falta de previsão de investimento na melhoria da rede de distribuição de energia é grave e tem causado um descontentamento generalizado na cidade que se traduz na opinião pública como descaso da Elektro.

O custo da energia para o consumidor brasileiro não é barato. A gritaria é geral. Mas, pagar e não ter uma energia elétrica que satisfaça as necessidades seja de estabelecimentos comerciais como os residenciais, soa em tempos de um Brasil tão ofendido pelo abuso perpetrado por governantes que malversam o dinheiro público como mais um desaforo que se recolhe junto a organismos e concessionários  de prestação de serviços de interesse público.

O fato é que a Elektro, independentemente das explicações que presta às autoridades constituídas do município, deve e precisa investir na melhoria da sua rede de distribuição de energia para melhorar a vida do consumidor três lagoense.  Outra questão, que se impõe como observação é a de que enquanto durar os efeitos de decisão judicial que determinou que a Elektro continue a dar manutenção na rede de iluminação pública, esta empresa não pode e nem deve se furtar a regular manutenção de postes e substituição de luminárias, já que recebe pagamento por esse serviço dos consumidores de energia que pagam taxa de manutenção de iluminação pública. Enfim, esta empresa é considerada uma concessionária de serviço público, que tem no Estado de São Paulo a sua grande clientela. Certamente, não vai querer ver crescer um movimento para que a Energisa, que atende os demais municípios do Estado venha a substituí-la, se considerarmos que a Elektro em território sul mato-grossense atende tão somente cinco municípios.

O fato é que a Elektro enquanto distribuidora de energia para o município não deve ser mal vista pela comunidade diante da entrega deficiente de energia elétrica em estabelecimentos indústrias, comerciais e residenciais. Infelizmente, esse conceito se agrava quando se anda pelas ruas dos bairros da cidade e se vê um sem número de postes com lâmpadas apagadas colocando, inclusive, a segurança das famílias em risco. O fato é que se medidas emergenciais não forem adotadas certamente um movimento contra a empresa irá eclodir na defesa da cidade que não pode deixar crescer a ineficiência do serviço, sob pena de comprometer a vinda de outras indústrias para cá. Nada mais queremos do que energia com qualidade. 

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