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OPINIÃO

Violência absurda

Leia artigo do jornalista Otávio Neto, publicado na edição deste sábado (22) do Jornal do Povo

22 ABR 2017 - 08h:53Por Otávio Neto

A semana em Três Lagoas foi marcada por ações violentas. Numa delas, a crueldade da bandidagem evidenciou total desprezo dos canalhas pela vida alheia. Depois de uma tentativa frustrada de roubo, motoqueiros decidiram desistir da perseguição ao carro e atiraram contra o veículo sem a menor preocupação com as consequências. O tiro provocou estragos. Atingiu a cabeça de um adolescente que ocupava o banco do carona. Na verdade atingiu mais que isso. Quando um cidadão é vítima da violência urbana, todos nós acabamos sendo afetados também. O medo e a sensação de insegurança acabam aumentando ainda mais. O mais triste nesse caso é que infelizmente até agora, não se tem notícia nem pistas dos criminosos. Sem saber quem são e quando vão voltar a agir novamente, só nos resta torcer para que não sejamos as próxima vítimas ou para que eles encontrem logo pela frente uma viatura da polícia. 
No mesmo instante em que um adolescente é vítima, outro usa uma arma de brinquedo para promover assaltos pela cidade e aterrorizar a população. Acabou detido, mas poderia ter sido pior. Quando um cidadão é abordado, ele nunca terá a ousadia nem a curiosidade de saber se o bandido porta uma arma de verdade ou se ela é de plástico. O medo de se tornar vítimas da violência absurda que insiste em rondar nossa cidade tem mudado rotinas, transformado vidas e causado revolta. Infelizmente a estrutura de nossas polícias ainda deixa a desejar. E pelo jeito, a bandidagem tem certeza disso apesar de vez ou outra levarem a pior.

Outro caso de violência, essa familiar, revelou talvez um dos males que tanto afeta a sociedade moderna: a intransigência. Uma mãe de família foi morta a tiros dentro de casa pelo ex-genro. O sujeito teve ainda a coragem de atirar na filha da vítima, uma adolescente e no filho dela, uma criança de dois anos, filho do atirador. O que leva um ser humano à cometer tamanha covardia? Até a finalização desse artigo, a polícia ainda não havia conseguido prender o homem que, com uma arma na mão acreditava que pudesse mudar sua existência que, imagina-se, não tenha muito sentido. Além de sua própria vida, destruiu a de outros que, infelizmente, não tiveram a chance de revidar.

As causas da violência são associadas, em parte, a problemas sociais como miséria, fome, desemprego. Mas nem todos os tipos de criminalidade derivam das condições econômicas. Além disso, um Estado ineficiente e sem programas de políticas públicas de segurança, contribui para aumentar a sensação de injustiça e impunidade, que é, talvez, a principal causa da violência.

A violência diária à que somos obrigados à testemunhar, se apresenta nas mais diversas configurações e pode ser caracterizada como violência contra a mulher, a criança, o idoso, violência sexual, política, violência psicológica, física, verbal, dentre outras. Em um Estado democrático, a repressão controlada e a polícia têm um papel crucial no controle da criminalidade.

A solução para a questão da violência no Brasil envolve os mais diversos setores da sociedade, não só a segurança pública e um judiciário eficiente, mas também demanda com urgência, profundidade e extensão a melhoria do sistema educacional, saúde, habitacional, oportunidades de emprego, dentre outros fatores. Requer principalmente uma grande mudança nas políticas públicas e uma participação maior da sociedade nas discussões e soluções desse problema de abrangência nacional. Caso contrário, só nos resta buscar abrigo em casas mais seguras, carros mais seguros e rezar para não sermos as próximas vítimas.

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