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Acordo ortográfico permite interpretações

O Brasil será o primeiro país a adotar as novas regras ortográficas, que entram em vigor em 1º de janeiro

30 DEZ 2008 - 14h:32Por Redação

Rio de Janeiro, 30 dez (Lusa) - O acordo ortográfico dá margem a diversas interpretações dos especialistas, afirma o lingüista Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Mesmo assim, diz que não haverá dificuldades para a construção de um vocabulário comum entre os países lusófonos.

"São formas distintas de interpretar o acordo [ortográfico], a questão é chegarmos a um denominador comum", declara o gramático e filólogo, também membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.

O Brasil será o primeiro país a adotar oficialmente as novas regras ortográficas, que entram em vigor em 1º de janeiro de 2009, com um prazo para adequação e reedição dos livros didáticos e dicionários até dezembro de 2012.

No entanto, divergências quanto a uma interpretação comum do acordo por lingüistas de Portugal e do Brasil podem retardar a implantação das novas regras comuns aos países lusófonos.

O presidente do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, Godofredo de Oliveira Neto, afirma que, se a convenção internacional não for adotada igualmente por todos os países, "o acordo fica desacordado".

Nova ortografia

Antes mesmo de o Vocabulário da Língua Portuguesa ser publicado pela ABL para servir de referência para os dicionários, muitos manuais com orientações sobre as novas regras já foram lançados.

Apesar disso, nenhuma editora brasileira correu o risco de lançar uma versão completa atualizada, pois todas terão que se adaptar ao que a Academia estipular.

O Vocabulário elaborado sem intercâmbios com as instituições de Portugal deverá ser lançado no Brasil em fevereiro, ainda sem data exata, e conterá 370 mil palavras.

Segundo Bechara, o Vocabulário será depois analisado e julgado por especialistas dos outros países lusófonos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

"Estamos levando em conta os princípios metodológicos para operacionalizar o repertório lexical da língua portuguesa. A ABL não formula nenhuma regra", diz o lingüista.

Ajustes

Evanildo Bechara afirma também que se acordo não fizer alusão a uma regra específica a Academia adotará "a tradição ortográfica da língua portuguesa no Brasil", referindo-se às "diversas interpretações" que existem principalmente nas regras do uso do hífen ou de acentuação de paroxítonas com ditongos abertos.

"O Vocabulário já está concluído, para nós não sobrou nenhuma dúvida, mas isso não significa que sejamos os donos da verdade, que nós tenhamos acertado em todas as medidas", ressalta. "Se recebermos críticas que nos convençam, vamos discutir e podemos alterar".

No Brasil, o período de adaptação à nova grafia termina em dezembro de 2012, mas Bechara admite a possibilidade de a ABL fazer ajustes.

O filólogo lembra que, na década de 1940, o Brasil fez uma reforma e após quase 30 anos fez um reajuste.

"A língua está constantemente sendo reformulada. É bem possível que haja a necessidade de um reajuste. O vocabulário comum entre os países lusófonos está prometido desde 1931 e estamos quase em 2009 e ainda não há".

Mas, segundo Bechara, não há uma divergência entre os acadêmicos, "é a diversidade dentro da unidade", destacou.

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