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Atrasos aumentam 13% em grandes bancos

Números do trimestre mostram que os índices de inadimplência recuaram, mas volume de crédito que deixou de ser pago só caiu mesmo no Itaú

16 MAI 2013 - 16h:29Por Redação

Com a divulgação dos resultados do Banco do Brasil, um retrato do que ocorre hoje nos maiores bancos brasileiros ficou bem claro: os índices de inadimplência podem estar cedendo, mas o saldo de empréstimos em atraso há mais de 90 dias, nos cinco maiores bancos brasileiros, aumentou em média 13,4% nos doze meses terminados em março, afetando diretamente a rentabilidade das instituições. 


Esse descolamento entre o índice de inadimplência e o saldo de pagamentos em atraso acontece por causa da forte aceleração do ritmo de concessões de crédito, em média de cerca de 20%, puxados pelo BB e Caixa. 

A questão é que quanto maior esse saldo de empréstimos em atraso, maiores devem ser as provisões dos bancos contra calotes. E quanto maiores essas provisões, menores os lucros e, consequentemente, a rentabilidade paga aos acionistas. A soma das carteiras de crédito dos cinco bancos cresceu 19,4%. A rentabilidade recuou em todos os cinco. E os lucros ficaram praticamente estáveis, com ligeira alta de 1,2%. 

Somente no maior banco privado, o Itaú, os esforços para diminuir os calotes produziram resultados tanto nos índices de inadimplência - uma medida relativa, que mostra o percentual da carteira que está comprometida - quanto no volume absoluto, em reais, do quanto há vencido e não pago. 

Enquanto o índice recuou de 5,1% para 4,5%, o estoque de créditos problemáticos caiu 5,65%, de R$ 17,71 bilhões para R$ 16,70 bilhões. Não é a toa que o Itaú foi o banco que reduziu mais expressivamente suas despesas no período, em 20%. 

Apesar de terem de seguir o que diz o Banco Central, a maioria dos bancos brasileiros é conservadora e sempre provisionou mais do que o obrigatório", diz Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating. Isso, em épocas de vacas gordas e lucros idem, ajudava a reduzir o montante de imposto de renda a pagar. Agora, a situação mudou. Cortar as despesas com provisões ajuda a aumentar o lucro e a rentabilidade.

A aceleração das concessões de crédito, por sua vez, ajuda a manter e até a reduzir os índices de inadimplência, mas não o volume de atrasos, como vem ocorrendo no Banco do Brasil e, em maior medida, na Caixa. 

"Aumento do crédito com controle de inadimplência é um dos pilares do crescimento do banco", disse ontem o vice-presidente de gestão financeira e relações com investidores do BB, Ivan Monteiro. 

Mas a carteira de crédito do banco terminou o primeiro trimestre do ano com crescimento de 25,6%, bem acima da média dos seus pares privados, e o índice de inadimplência recuou de 2,2% para 2% em 12 meses. Mas o volume de créditos em atraso cresceu 14,2%, para R$ 11,85 bilhões. 

"Na média, os bancos privados registraram alta em torno de 7% das suas carteiras de crédito nos últimos 12 meses - ou seja, as carteiras praticamente apenas acompanharam a taxa Selic, o que significa que nenhum acréscimo real", lembra o analista do Goldman Sachs, Carlos Macedo. "Inadimplência muito diferente de 4%, como está na maior parte dos bancos, tem alguma explicação que me escapa", diz Rodrigues, da Austin.

O caso da Caixa é mais emblemático ainda do que o do BB. O crédito vem crescendo a taxas acima de 40% - 43% no último trimestre - levando o banco para a segunda posição, à frente do Itaú, em termos de carteira de empréstimo (R$ 390,7 bilhões no final de março). 

O índice de inadimplência mostrou pequeno rebote, passando de 2,1% para 2,3%. Mas o saldo dos atrasados deu um salto de 56,9%, para R$ 8,99 bilhões em 12 meses. O banco concede cerca de R$ 1 bilhão de empréstimos por dia - há um ano, a média era de R$ 550 milhões. 

No Bradesco, o aumento do saldo de empréstimos atrasados foi de 7,8%, abaixo do crescimento de 10,4% da carteira. O índice de inadimplência recuou ligeiramente, de 4,1% para 4,0%. Já no Santander, onde até o índice teve repique, passando de 4,8% para 5,8%, o volume de empréstimos em atraso aumentou 28,2%, para R$ 12,27 bilhões.

No banco Santander, porém, não foi essa a causa principal da queda na rentabilidade. "O banco tem patrimônio líquido equivalente a de Itaú e Bradesco, e não consegue rentabilizar essa patrimônio", disse Rodrigues. 

Seu índice ficou em 3,9%, enquanto todos os seus concorrentes tem rentabilidades de dois dígitos. Por isso, também, o índice de Basileia do banco (que mede alavancagem) é tão mais alta que a de seus pares.

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