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Celulose começa a ser planejada em um jardim clonal

Eldorado planeja produzir R$ 75 milhões de mudas de eucalipto em 2013

12 DEZ 2012 - 07h:24Por Danilo Fiuza

Jornalistas convidados pela Eldorado Brasil passaram a manhã de ontem no viveiro de mudas da companhia em Andradina (SP). Lá, conheceram o princípio do resultado do produto mais valorizado no mercado consumidor mundial – a celulose, matéria- prima do papel, curiosamente inventada na China, que é hoje o principal alvo dos investimentos da indústria de celulose.

O viveiro da Eldorado em Andradina tem meta de produção de 75 milhões de mudas. Hoje, a produção é de 35 milhões de mudas, ao custo de R$ 0,20 a R$ 0,27 por unidade. Por trás de uma boa fibra no processo de fabricação da celulose, está um trabalho minucioso, de envolvimento, dedicação e tempo. Apenas na fase de desenvolvimento da muda e da árvore, são seis anos, período em que o eucalipto está pronto para o corte.

Segundo Amilton Ferreira de Souza, coordenador do viveiro, a celulose começa a ser pensada ainda em um jardim clonal, onde as minicepas (matrizes), geneticamente selecionadas a partir da germinação de uma semente, produzem as varetas ou estacas (galhos com quatro folhas) de no máximo sete centímetros. Essas plantas são internalizadas em estudos de 12 a 15 anos até que estejam prontas para a multiplicação (clonagem).

As minicepas são cultivadas em sistema semi-hidropônico (água para hidratação e areia para a sustentação) com nutrição irrigada. Os galhos são cortados com tesoura, hidratadas e plantadas em tubetes. Eles são abastados na hora do corte, ficando apenas quatro folhas para que não nasçam brotos. O objetivo é transformar a vareta em muda, com raiz.

Nesse processo inicial, os galhos, até que comecem a criar raízes, recebem nebulização de cinco em cinco minutos e substratos controlados para garantir o bom crescimento e qualidade das mudas. A adubação é o principal meio que o viveirista tem para "segurar" ou "adiantar" o crescimento das mudas, diz Amilton. Segundo ele, além dos substratos, é usado o adubo NPK (doses de N e de K2O) e micronutrientes.

Até a fase de rustificação, preparo da muda para ser plantada no campo, onde estará sujeita às adversidades do campo e intempéries do clima, inclusive temperatura de até 50º ao meio-dia, a muda passa por três estufas. A segunda fase após a coleta da vareta é o estaqueamento, introdução da estaca no tubete, onde está aplicado o substrato, fibra de coco e casca de arroz carbonizada com adubação NPK.

Após essa fase, a muda é levada para a casa de vegetação. São esperados 20 dias até o enraizamento, em estufa com temperatura de 30 graus com dois sistemas de irrigação. A seleção é feita após 90 dias. Nessa fase, a muda para a casa de sombra, iniciando aí o processo de aclimatação para o plantio, sendo levada em seguida para o pleno sol, que é chamada área de crescimento.

Com seis a 8 centímetros, a muda está pronta para a área de rustificação. Segundo Amilton Sousa, há 70% de aproveitamento das mudas. Somente na área de rustificação, as mudas permanecem 40 dias. A muda padrão tem que ter 40 centímetros até ser levada para o plantio no campo, onde ficará em desenvolvimento e pronta para o corte ao cabo de seis a sete anos.

O viveiro de Andradina possui 15 hectares e deverá dobrar sua capacidade de produção em 2013 para 75 milhões de mudas/ano. O processo de formação de mudas, que dura até três meses, envolve 190 funcionários.

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