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Crise financeira poderá aumentar procura por atendimento no SUS

A afirmação é do secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, Antônio Alves de Souza

15 JAN 2009 - 13h:46Por Redação

 A crise financeira mundial extrapola os limites econômicos e pode influenciar até a rede pública de saúde. Para o secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, Antônio Alves de Souza, a migração de beneficiários de planos saúde para o Sistema Único de Saúde (SUS) será uma das conseqüências indiretas que o país enfrentará.

“Se considerarmos que grande parte do setor organizado, industrial principalmente, é composto por trabalhadores que não usam o Sistema Único de Saúde (SUS) na sua rotina, pois possuem os planos coletivos de saúde privados, com o desemprego aumentará a demanda do SUS”, afirma Souza.

O secretário disse que diante desta situação será preciso uma alternativas governamentais e a priorização das áreas mais afetadas.

“Como o SUS é um sistema inclusivo, vindo mais pessoas para a inclusão tem que haver mais recursos. Como enfrentar a crise com sistemas universais? Como assegurar os mecanismos de proteção social? Estes são temas importantes para serem pensados”, ressalta Souza.

De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em setembro de 2008 a saúde complementar contava com 40,8 milhões de beneficiários em planos de assistência médica privada, destes 73,5% são vinculados a planos coletivos.

O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo, Arlindo de Almeida, afirma que até o momento não foi sentido nenhum efeito da crise, mas as férias coletivas anunciadas pelas empresas são prenúncio de demissão. O segmento atende  a 35,13% dos beneficiários dos planos de saúde e tem 670 operadoras em todo o país.

“Aproximadamente 28 milhões de pessoas são beneficiários de convênios coletivos (funcionários e familiares). Quando há  demissões normalmente as pessoas têm o direito de permanecer no plano, mas pagando o valor integral. Só que quem perde o emprego tem outras prioridades, precisa sustentar a família”, registra Almeida.

O presidente da Abrange destaca que as operadoras de plano de saúde também poderão sofrer um impacto negativo e gerar um desequilíbrio financeiro. “Nossa atividade depende muito de mão-de-obra, com a diminuição de usuários alguns serviços poderão ser cortados e gerar demissões”, relata Almeida.

 

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