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Governo vai desligar quatro termelétricas até o final de maio

Situação dos reservatórios de hidrelétricas permite a medida, diz Lobão

6 MAI 2013 - 13h:35Por Redação

O governo decidiu desligar, até o final de maio, quatro usinas termelétricas, tendo em vista a situação atual dos reservatórios de hidrelétricas do país. De acordo com o Bom Dia Brasil, devem ser desligadas a Potigar 2 e a Potigar 3, no Rio Grande do Norte, e Pau Ferro e a Termomanaus, em Pernambuco, as mais caras de todo o sistema.

"Essas quatro usinas, por serem realmente muito caras, além de R$ 1.000 por megawatt/hora, nós vamos economizar com eleas aproximadamente R$ 80 a R$ 100 milhões por mês. É uma economia significativa", disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em entrevista ao Bom Dia Brasil.
Na sexta-feira (3), Lobão já havia dito ao G1 que a situação atual dos reservatórios de hidrelétricas do país “dá completa tranquilidade” para que o governo determine o desligamento, a partir desta semana, de pelo menos parte das usinas termelétricas em funcionamento.

“[O nível das represas] dá completa tranquilidade [para iniciar o desligamento das térmicas]. Nós imaginávamos que chegaríamos ao final do período chuvoso com 50% a 55% de armazenamento nos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, mas chegamos com 63%, muito além do que esperávamos”, disse.

Reportagem do G1 publicada na quinta-feira mostrou que os reservatórios das usinas chegaram ao fim do período chuvoso com o nível mais baixo desde 2001.

O ministro disse ao G1 na semana passada, contudo, que o governo deve manter boa parte das térmicas ligadas, em especial aquelas que usam combustível mais barato (como as movidas a gás). As movidas a óleo têm custo de operação mais alto.

Nível dos reservatórios
As chuvas dos últimos dois meses melhoraram a situação dos reservatórios das hidrelétricas do país, mas não foram suficientes para impedir que eles chegassem ao fim do período chuvoso com o nível mais baixo desde 2001, ano em que o governo brasileiro decretou o racionamento de energia.
De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as represas de hidrelétricas do sistema Sudeste/Centro-Oeste, responsáveis por 70% da energia que abastece o Brasil, chegaram ao final de abril (dia 30) com 62,4% de armazenamento de água.

Apesar de ser o nível mais baixo dos últimos 12 anos, ele é quase o dobro do registrado em abril de 2001, pouco antes do início do racionamento, quando os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste tinham apenas 32,18% da água que eram capazes de armazenar.

Entretanto, o nível do final de abril de 2013 é 18% mais baixo que o verificado na mesma época do ano passado (76,09%). Desde 2003, os reservatórios daquele sistema não chegavam ao início do período seco, quando as chuvas diminuem na maior parte do país, com volume de água abaixo de 70%.

O sistema Nordeste, segundo mais importante do país, chegou ao dia 30 de abril em situação mais complicada: o nível médio das represas era de 48,8%, bem mais próximo ao registrado na região em 2001 (33,13%).

Nós últimos meses, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, veio a público negar o risco de novo racionamento ou falta de energia no país em 2013 ou em 2014, ano em que o Brasil sedia a Copa. No mês passado, o ministro convocou entrevista para rebater reportagens e criticou o “tom alarmista” adotado pela imprensa na cobertura desse assunto.

Termelétricas
Por conta do baixo nível dos reservatórios, desde outubro de 2012 o Brasil mantém todas as usinas termelétricas disponíveis funcionando. No dia 30 de abril, elas eram responsáveis por gerar 11.347 MW médios, 18,31% de toda a energia produzida no país. O governo aguardava a situação dos reservatórios ao fim do período chuvoso para definir se as térmicas permanecem ligadas pelo restante do ano ou não.

O problema de manter as termelétricas ligadas por mais tempo é que o preço da energia sobe. Essas usinas usam combustível, como carvão, gás e óleo, e o custo acaba sendo pago pelos consumidores. Neste ano, essa conta já supera os R$ 2 bilhões.

No início de 2013, o governo adotou medidas para reduzir o impacto do uso das térmicas na conta de luz. Uma delas foi socorrer as distribuidoras de energia, que assumem o custo adicional das termelétricas no primeiro momento. Para isso, usou recursos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um fundo que financia programas do setor.

Além disso, resolveu parcelar, em 5 anos, o repasse dessa conta aos consumidores. E alterou o rateio dessas despesas: reduziu a parcela que recai sobre consumidores residenciais e empresas, e incluiu no custeio os comercializadores e geradores de energia.

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