Rádios On-line

Malha ferroviária precisa dobrar para suprir demanda

Governo planeja construir apenas 10 mil km de vias até 2025. Concessionárias devem investir R$ 16 bilhões

19 ABR 2013 - 14h:39Por Redação

O Brasil precisaria de uma malha ferroviária de 52 mil quilômetros para atender a demanda atual de transporte de produtos no país, ou seja, praticamente dobrar o tamanho que tem hoje, aponta a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

Atualmente, o Brasil conta com 29,8 mil quilômetros de ferrovias e apenas 25% do que é produzido nos campos chega aos porto por trilhos. "O governo planeja construir 10 mil quilômetros até 2025, o que é abaixo do que precisamos", defende Rodrigo Vilaça, presidente-executivo da ANTF.

Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres, estão previstos R$ 91 bilhões de investimentos nas ferrovias brasileiras, nos próximos 25 anos. Já as concessionárias preveem desembolsos de R$ 16 bilhões, nos próximos três anos. "O investimento das concessionárias diz respeito apenas à malha existente. Seria empregado em novas locomotivas, vagões, softwares, manutenção e capacitação", explica Vilaça.

Segundo ele, na próxima segunda-feira, a associação vai entregar à presidente Dilma Rousseff a sugestão de que todos os recursos de arrendamento e concessão, que no ano passado giraram em torno dos R$ 1,7 bilhão, sejam aplicados no próprio sistema, através do Programa de Segurança Ferroviária, o Prosefer. "A proposta foi elaborada em 2005, mas como não foi aceita, vamos levar novamente ao governo", diz Vilaça.

Além da extensão, quem deseja transportar cargas utilizando a malha ferroviária brasileira enfrenta outro grande problema, a interligação das vias ferroviárias já existentes. "Nossa malha é um arquipélago, os sistemas não se interligam", diz Alexandre Rojas, professor do Centro de Tecnologia da UERJ. "Nossa malha está ao longo da costa, por razões histórias", completa Telmo Porto do Departamento de Engenharia de Transportes da USP. 

Para os especialistas, a ligação com os portos, ainda precária, também é um problema para o país. "Os portos de Santos e de Sepetiba, por exemplo, sofrem. Chegar aos portos de forma mais eficiente, melhoraria a logística de exportação do país", destaca Rojas.

Porto defende o modelo do governo, que inclui concessões para novos trechos, mas faz ressalvas. "O plano é correto do ponto de vista conceitual. Acho uma meta razoável chegar aos 35% de transporte por ferrovias, mas o andamento ainda é lento", diz ele. 

"A rodovia Norte-Sul, por exemplo, vai resolver parte do problema, pois possibilita interligações, que a malha de hoje não permite, mas o plano está atrasado", completa.
Rojas concorda e reforça que, depois de muitos anos de abandono ao setor, o país começa a enxergar as ferrovias como solução logística para o transporte de cargas brasileiro."Entretanto, além de pensar na expansão, o governo precisa pensar em refazer ou modificar alguns trechos, finaliza.

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