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Principal eixo rodoviário do Bolsão não terá pedágio

Trecho da BR-158 em MS f.ica fora do plano de privatização da ANTT.

16 NOV 2012 - 08h:18Por Redação

O trecho da BR-158 que corta cinco dos 10 municípios do Bolsão, principal eixo rodoviário que escoa a produção agropecuária do Centro-Oeste e traz os manufaturados do Sudeste, não terá pedágio. A 158 não entrou no plano de privatização anunciado pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), seguindo como rodovia estatal, sem pedágio. As concessões onerosas aprovadas só indicam as BRs 163, 262 e 267.

 
Por causa das interligações recém-inauguradas, incluindo a MS-112, entre Três Lagoas e Inocência e devido à instalação da fábrica de celulose da Eldorado, o tráfego no trecho até Selvíria aumentou muito, o que tem provocado também crescimento do número de acidentes. A BR-158 é uma rodovia longitudinal que atravessa o país de Norte a Sul. Seu menor trecho está em MS, mas é tido como um dos mais perigosos, em razão da movimentação diária de trabalhadores em ônibus, vans e transportes populares, como a motocicleta. A rodovia começa no Pará e ainda passa pelos estados do Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, terminando todo o percurso na fronteira com o Uruguai, no município de Santana do Livramento.
 
No trecho em que a rodovia liga os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, utiliza-se a Ponte Rodoferroviária sobre o rio Paraná, com 2.600 metros de extensão, em Aparecida do Taboado. Curiosamente, ao contrário da maioria das rodovias longitudionais, a BR-158 não atravessa nenhuma capital brasileira
 
Os primeiros trechos sul-mato-grossenses que devem ser entregues para a iniciativa privada são as BRs 163, 267 e 262, que farão parte da Fase 3 da 3ª Etapa do Programa de Concessões de Rodovias Federais. As ligações rodoviárias entre o estado e as regiões Sudeste e Sul do Brasil são as mais cobiçadas, uma vez que servem de passagem para os corredores de exportação.  No site da ANTT estão disponíveis também documentos técnicos que revelam a situação de cada um dos trechos disponíveis para concessão.
ENTRONCAMENTOS
A BR-158 é um importante eixo para as interligações da malha estadual. A rodovia tem entroncamentos com a MS-306, próximo da divisa com Goiás, no município de Cassilândia; MS-112, MS-431 e MS-434, de acesso a São João do Aporé, em Paranaíba; MS-240, de acesso a Inocência; e MS-316 e 443, em Aparecida do Taboado; além da MS-444 em Selvíria. A rodovia também tem entroncamento com a BR-262, no trecho urbano em Três Lagoas, para seguir até Brasilândia.
PERÍMETRO URBANO
As Prefeituras de Aparecida do Taboado e Paranaíba devem encomendar estudos sobre a duplicação de trechos da BR -158 que atravessam perímetros urbanos. A falta de segurança e regularização de acessos é apontada como principal fator para o aumento dos índices de acidentes no trecho urbano em Três Lagoas. A cidade de Selvíria fechou as vias centrais para o tráfego pesado, mas o grande movimento de veículo ainda gera preocupações na cidade.
Em recente estudo, peritos criminais analisaram causas de acidente e apontaram falhas na engenharia de tráfego, falta de equipamentos de segurança e manutenção da rodovia. Estudo só foi feito após a morte de quatro pessoas entre as rotatórias da BR-158 que dá acesso a Selvíria e à BR-262, no Anel Samir Thomé, saída para SP.
O estudo foi encaminhado para a Prefeitura, Dnit e Ministério Público, com sugestões e recomendações para melhoria dos níveis de segurança. Ainda não houve nenhuma resposta, mas algumas medidas começam a ser anunciadas. Um exemplo disso, é que o Dnit já anunciou o fechamento de acessos irregulares em Três Lagoas. Quanto às áreas urbanas de Aparecida, Paranaíba e Cassilândia, não há informações sobre os acessos, mas população quer a duplicação.
No caso de Três Lagoas, de acordo com o estudo, é necessária a reestruturação e atualização da travessia da BR-158, entre a rotatória de saída para Selvíria (Balneário e Aeroporto, via Filinto Müller e Antônio Trajano dos Santos). Nesse trecho, segundo o estudo, no período de 1º de janeiro de 2009 a 3 de junho de 2012, foram registrados 24 acidentes, com 12 mortes.
 
“O acidente de trânsito é o segundo maior problema de saúde pública do País e só perde para a desnutrição. É um evento com dano que envolve veículos, a via, o homem ou animais”, enfatiza o relatório apresentado pelos peritos criminais, que usaram fotografias e imagens capturadas do Google Earth, em que se constatam a existência de nada menos que 18 interseções de vias urbanas e acessos irregulares que convergem para a rodovia no perímetro urbano de Três Lagoas.
Outras causas são apontadas como fatores de aumento dos índices de acidente, mas os peritos observam que uma falha do poder público é a ausência de sinalização.
Por isso, recomendam políticas públicas articuladas para adequação de iluminação; diminuição da velocidade máxima permitida, melhorias no acostamento, construção de ciclovia, instalação de semáforo na rotatória de interseção da Mabel, melhorias na sinalização vertical, horizontal e luminosa, duplicação da via, construção de viadutos ou passarelas, vias marginais e instalação de defensas nas vias que interceptam a rodovia. Além dos equipamentos, os peritos recomendam campanhas educativas.

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