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Sensação de fome pode proteger o cérebro contra doença de Alzheimer

A pesquisa foi publicada na revista Plos One

3 ABR 2013 - 14h:50Por Redação

A sensação de fome em si pode proteger o cérebro contra a doença de Alzheimer, de acordo com pesquisadores da University of Alabama em Birmingham, nos EUA.

Os resultados do estudo em ratos sugerem que sinais hormonais intermediários entre um estômago vazio e a percepção da fome no cérebro podem atuar de forma eficaz contra o declínio cognitivo relacionado à idade da mesma maneira que a restrição calórica.

A pesquisa foi publicada na revista Plos One.

A restrição calórica é um regime em que um indivíduo consome menos calorias do que a média, mas não tão pouca que fica desnutrido. Estudos em muitas espécies sugeriram que isso pudesse proteger contra doenças neurodegenerativas e prolongar o tempo de vida, mas o efeito não foi confirmado em ensaios clínicos com humanos.

Esforços para entender como o corte de calorias pode proteger o cérebro têm crescido cada vez mais com o aumento das mortes por doença de Alzheimer e porque os melhores tratamentos disponíveis apenas retardam o início em um subgrupo de pacientes.

Autores argumentam que sinais hormonais são os intermediários entre um estômago vazio e a percepção da fome no cérebro, e que eles podem atuar de forma eficaz contra o declínio cognitivo relacionado à idade da mesma maneira que a restrição calórica.

"Este é o primeiro trabalho a mostrar que a sensação de fome pode reduzir a doença de Alzheimer em um modelo do rato da doença. Se os mecanismos forem confirmados, a sinalização hormonal da fome pode representar uma nova maneira de combater a doença de Alzheimer, por si só ou combinada com a restrição calórica", afirma a pesquisadora Inga Kadish.

A equipe teoriza que sentir fome cria um estresse leve, que, por sua vez, aciona vias metabólicas de sinalização que ataca os depósitos de placas conhecidos por destruir as células nervosas em pacientes de Alzheimer. A ideia é um exemplo da teoria hormese, onde estressores prejudiciais, como a fome, são classificados como bons quando experimentados em menor grau.

Para estudar a sensação de fome, a equipe analisou os efeitos do hormônio grelina, que é conhecido por criar a sensação de fome. Eles usaram uma forma sintética de grelina em forma de pílula, que permitiu controlar a dosagem de tal forma que os ratos tratados com grelina sentiram fome leve.

Se pudesse ser desenvolvido, o tratamento que afeta a sensação de fome pode ajudar a retardar o declínio cognitivo sem condenar as pessoas a uma vida de fome. Restrição calórica não seria tolerável para muitas pessoas, a longo prazo, mas a manipulação da sensação de fome pode ser.

A pesquisa
O estudo examinou se a sensação de fome, na ausência de restrição calórica, pode combater o Alzheimer ou não em ratos geneticamente modificados para ter três mutações genéticas conhecidas por causar a doença em humanos.

Camundongos do estudo foram divididos em três grupos: um que recebeu "grelina sintétic"; um segundo que sofreu restrição calórica e um terceiro grupo que foi alimentado normalmente.

A equipe analisou a capacidade de cada grupo para lembrar, o seu grau de patologia de Alzheimer e seu nível de ativação de células imunes potencialmente prejudiciais.

Os resultados mostraram que, em ratos com mutações da doença de Alzheimer humana, tanto no grupo tratado com a grelina sintética quanto o grupo submetido à restrição calórica, o desempenho foi melhor em um labirinto de água (teste padrão usado para testar a memória) do que em ratos alimentados normalmente.

Ratos que receberam a grelina sintética encontraram a plataforma escondida 26% mais rápido do que os ratos controle e aqueles com restrição calórica o fizeram 23% mais rápido do que os ratos controle.

A equipe descobriu ainda uma redução de 67% no acúmulo de proteína beta amiloide em ratos com restrição de calorias em comparação com os ratinhos controle, e uma redução de 48% dos depósitos amiloides em ratos tratados com a grelina sintética.

"A grelina sintética utilizada no estudo não se presta ao uso clínico e não desempenha um papel na prevenção futura da doença de Alzheimer. Ela foi concebida para provar que a sensação de fome em si pode combater o Alzheimer num mamífero. O próximo passo é entender exatamente como isso acontece para projetar um tratamento futuro", conclui Kadish.

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