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Abate halal cresce no Brasil

O volume de carne bovina exportada pelo Brasil ao longo de 2018 foi recorde. O total embarcado foi de 1,64 mi de toneladas, crescimento de 11% sobre 2017

26 FEV 2019 - 10h:41Por Éder Campos

Frigoríficos brasileiros estão ávidos por aumentar ainda mais a participação no mundo muçulmano através do fornecimento de carne com abate halal. A razão é o valor pago pelo produto que é altamente valorizado, uma vez que as linhas de produção ficam 100% à disposição da técnica sagrada.

Todo processo de abate é feito por um religioso muçulmano que segue os preceitos descritos no Alcorão. Atualmente 500 profissionais islâmicos estão trabalhando no país dedicados a realizar o abate halal. Apenas carnes preparadas segundo essa cartilha podem ser ingeridas por consumidores da religião islâmica

O Brasil é o maior exportador mundial de carne halal, seguido pelos Estados Unidos e Austrália. O país lidera o ranking geral de carne bovina e ocupa a vice-liderança fornecimento de aves, em especial frango, nesse sistema. De olho nesse mercado, a indústria brasileira está investindo em equipamentos para adaptar as linhas de abate diante da maior abertura pelos compradores islâmicos que buscam atender um contingente de aproximadamente 2 bilhões de pessoas, cerca de 25% da população mundial.

Para exportar para esse mercado, a indústria deve ser certificada nos processos que atendam a norma religiosa.  Para se ter uma ideia do potencial deste mercado, o Brasil exporta para 57 países islâmicos, sendo 22 países árabes. Ano passado o mercado halal gerou algo em torno de US$ 6,4 trilhões. Informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), mostram que exportações brasileiras somente de carne bovina halal, de janeiro a julho de 2018, somaram US$ 3,5 bilhões, um aumento de 11,1% em relação ao mesmo período de 2017. Foram embarcadas 844 mil toneladas, um crescimento de 8,3% na mesma comparação.

No ano passado, as exportações de frango halal renderam ao País US$ 3,2 bilhões e responderam por 45% das receitas totais de vendas externas do produto, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A religião islâmica tem adeptos em todo o mundo, razão pela qual o Brasil não exporta carne halal apenas para o Oriente Médio. Na Ásia, a Coreia do Sul, terceira maior economia do continente e a décima no mundo, foi o quinto maior parceiro comercial do Brasil no ano passado. Atualmente, o Brasil responde por 6% do mercado coreano. Outro país que demanda pelo abate é convidável é a China, o setor halal deverá atingir US$ 1,9 trilhão até 2021. O país com a maior população do mundo tem forte demanda doméstica por alimentos halal, estimada em US$ 20 bilhões, e 26 milhões de consumidores. Embora a população muçulmana na China seja de apenas 2%, a crescente popularidade dos alimentos halal como uma opção saudável também tem impulsionado a demanda.

O QUE HALAL

De acordo com a enciclopédia Wikipédia, o termo halal (permitido/autorizado) é usado em países não islâmicos para se referir aos alimentos autorizados de acordo com a Xariá, ou lei islâmica. Alimentos Halal são referentes a alimentos que os muçulmanos podem ou não comer e beber segundo essa lei. Esses critérios especificam como os alimentos podem ser consumidos e como devem ser preparados. As fontes para determinar se uma comida ou bebida são autorizadas no islão são o Alcorão, as tradições do profeta (hadith) e as formulações dos juristas. No Alcorão pelo menos vinte e quatro versículos referem-se a prescrições no domínio alimentar.

As carnes proibidas pelo islão são as de porco, das aves rapaces (de rapina), do cão, da serpente, do macaco. O consumo de animais com garras, como leões e ursos, é proibido, bem como de animais considerados repulsivos (baratas, moscas etc.). O sangue dos animais não deve ser consumido. Em contrapartida, todos os peixes são autorizados.

 

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