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COMEMORAÇÃO

Capital de Mato Grosso do Sul completa hoje 118 anos de fundação

Campo Grande vem sofrendo profundas transformações econômicas e sociais. A Cidade Morena é uma capital moderna

26 AGO 2017 - 09h:30Por Vera Tylde de Castro Pint

*O texto completo da autora - associada efetiva e titular da cadeira no.03 do IHGMS - está no livro Campo Grande: Personalidades históricas, organizado por Arnaldo Rodrigues Menecozi, titular da cadeira no.30.

A biografia exige do pesquisador/historiador/biógrafo um equilíbrio perfeito entre as sensações de pertencer a alguém ou a algum lugar e o distanciamento crítico necessário para, sem omitir os fatos, não ser invasivo e não comprometer a obra com opiniões pessoais. Ter nos seus poucos mais de cem anos um biógrafo que se caracterizou por esse tão almejado equilíbrio de poucas jovens cidades como Campo Grande, MS. 

Paulo Machado acumulou invejável trabalho de pesquisa num verdadeiro banco de dados sobre os primeiros habitantes e povoadores da Rua Velha, da Rua Principal, da Rua Alegre e da Grande Avenida, do centro histórico da cidade, onde nasceu a capital do estado de Maracaju (1932) e posteriormente Mato Grosso do Sul (1977).

Fisicamente longe das capitais da república e dos grandes núcleos socioeconômicos e culturais brasileiros, mas ironicamente mais próxima de outros países sul-americanos e dos primeiros habitantes descendentes das etnias indígenas subsistentes, a cidade é tema de seu historiador-mor em minucioso registro local, extremamente oportuno para a história regional e do país.

Além disso, essa vila e promissora cidade interiorana, que antes de ser capital recebeu migrações desde o extremo oriente (libaneses, armênios, sírios, turcos, palestinos e nipônicos), passando pelos europeus (italianos, gregos, poloneses, alemães, espanhóis e portugueses), os vizinhos sul-americanos (paraguaios e bolivianos) e ainda de outros estados da federação, com suas influências adaptadas à realidade do centro-oeste brasileiro que ele tão bem soube captar, enriquece os relatos de Paulo no seu tour cultural e turístico “pelas ruas de Campo Grande”. 

A cidade não para de crescer e, nos atuais desafios urbanísticos, infelizmente o seu passado histórico não tem tido impacto suficiente para conviver em igualdade de condições com os modismos e as tendências dos tempos que vivemos. Aos poucos, com a demolição dos prédios de época, a metrópole transforma cenários de antigamente, quando muito, em fotos e memória oral de matriarcas e patriarcas das famílias de raiz.
Legado do autor é consulta obrigatória

Com relação ao registro bibliográfico, o legado de Paulo Machado cresce de importância e passa a ser consulta obrigatória para quem se interessa por reconstruir e conhecer Campo Grande do século XX. O escritor, um dos fundadores e presidente duas vezes do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, em sua obra, tem a preocupação de descrever pioneiros residentes na cidade onde personagens emblemáticas da história pontuam e ainda carecem de registros complementares. No entanto, por um traço inconfundível de sua personalidade, sempre discreto e comedido em gestos e palavras, pouco relata de sua família e de si próprio.

Seus pais, um casal que viveu união de mais de 60 anos de convivência e cumplicidade, encarnam a própria imagem tão necessária ao inconsciente coletivo de pais da comunidade. Eram muito queridos pela sociedade local e reconhecidos pelo espírito solidário. A casa geminada da Rua 15 de Novembro foi, por muitas décadas, uma referência na cidade. De um lado residia o dr. Machado, do outro , nas salas da frente, funcionava a banca de advocacia dividida com o filho Paulo que morava nos fundos com a esposa Zilá e as filhas Zélia Maria e Vilma, pois Eduardo e Mariza ainda não haviam nascido.

Por fim, uma das características que marcou a trajetória de vida de seus pais e a sua própria foi o amor declarado  à cidade. Podendo residir em São Paulo ou no Rio de Janeiro, onde até residiram, era em Campo Grande que se identificavam com a vida da urbe e de seus habitantes, sendo parte relevante de sua história recente. Em “A Rua Barão”, Paulo conta um episódio de sua mocidade, quando, em companhia de rapazes da família Castro Pinto, ingenuamente, no Jardim Público, hoje Praça Ari Coelho, fizeram a corte, em linguagem atual, paqueraram moças bonitas que, para surpresa dos jovens conquistadores, eram prostitutas.

Em “A Grande Avenida”, Paulo conta um pouco mais de sua infância e das aventuras e das aventuras com outros moleques, nas proximidades do então longínquo Obelisco.

*O texto completo da autora - associada efetiva e titular da cadeira no.03 do IHGMS - está no livro Campo Grande: Personalidades históricas, organizado por Arnaldo Rodrigues Menecozi, titular da cadeira no.30. 

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