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ACOLHIMENTO

Projeto acolhe pessoas em luto na pandemia

Chamado “Tear do luto”, o projeto é do coletivo de mulheres “Nós Terapia” em Campo Grande

10 ABR 2021 - 12h:15Por Loraine França/Ingrid Rocha

No Brasil, mais de 345 mil brasileiros perderam suas vidas no último ano, vítimas da Covid-19. Amores, amigos, familiares que se foram - e muitos sem poder se despedir e que deixam saudades e luto. E diante da situação política e econômica que o país vive, o luto pode se intensificar e causar ainda mais estresse por quem o vive. Pensando no atendimento à essas pessoas,  um projeto desenvolvido por seis psicólogas de Campo Grande busca acolher quem perdeu alguém para o novo Coronavírus.

Chamado “Tear do luto”, o projeto é do coletivo de mulheres “Nós Terapia” e, segundo a psicóloga Júlia Palmiere, uma das integrantes, o grupo decidiu diante do luto social, político e econômico, não recuar. Elas oferecem acolhimento às histórias, memórias e sofrimentos, funcionando como um espaço psicoterapêutico para as pessoas, como explica Palmiere.

“O projeto nasce da proposta de, não recuar e oferecer esse espaço, porque vemos como a pandemia transformou a realidade diante da morte e, também, como a negação do sofrimento vem sendo colocada. Além da banalização da morte, que prejudica o curso natural do luto”. 

A psicóloga classifica o luto na pandemia como singular, porque nos tirou rituais de despedidas ao impor o distanciamento social, necessário devido ao alto contágio do Sars-Cov-2. “A condição do nosso corpo como vetor [do vírus], o isolamento social, tudo isso torna o momento pandêmico muito desafiador e difícil. Além da ausência de suporte social e auxílio para esse momento”.

Para Júlia, o acolhimento das pessoas que estão em luto é essencial, já que o se trata de uma condição que tem um curso natural. “Todo esse desânimo e desinteresse pelo mundo externo, afastamento pelas atividades cotidianas fazem parte do processo do luto e, para que ele siga esse curso natural diante da perda do objeto amado, das pessoas queridas, de um modo de vida, é importante garantir um lugar seguro, de acolhimento, para legitimar esse processo”. 

Ter um tempo para que a pessoa consiga fazer novas conexões, investir em outras atividades e pessoas, é outra orientação da psicóloga.

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