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ECONOMIA

Quatro empresas estão interessadas na compra da UFN3

Além da russa Acron, que voltou a disputa, outras três se habilitaram para processo, diz Verruck

2 JUN 2020 - 10h:38Por Marcus Moura/ CBN

Quatro empresas estão interessadas na compra da UFN3 (da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados), em Três Lagoas, segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Jaime Verruck. A russa Acron, que “desistiu” da compra no ano passado após a crise política na Bolívia, que seria fornecedora de gás natural da fábrica, voltou a briga.

Em entrevista exclusiva à CBN Campo Grande, o secretário disse que a informação da “habilitação” das outras três empresas ainda é informal, mas que até o final do ano o imbróglio deve ser resolvido. “O processo da UFN3 continua normalmente dentro da Petrobras. A gente tem conversado semanalmente com a empresa e está tudo dentro do cronograma. Temos aí uma informação informal que quatro empresas se habilitaram para entrar na disputa da compra, inclusive a Acron, que já vinha trabalhando com isso. Então, a gente tem uma grande expectativa para que 2020 seja o ano de resolução da UFN3 para que em 2021 a gente possa retomar essa obra que é tão importante para o país”, disse.

Histórico

A UFN3 era uma das principais apostas da Petrobras para reestruturação e recapitalização da estatal, tendo uma forte possibilidade de se tornar ativo passível de negociação no mercado internacional. Entretanto, em dezembro de 2014, a obra foi paralisada com mais de 80% da construção pronta porque a Petrobras alegou que o consórcio responsável pela realização do empreendimento havia descumprido cláusulas contratuais.

Em junho do ano passado, após cinco anos de espera, o STF (Supremo Tribunal Federal) deu o aval para que a Petrobras finalizasse o processo de venda sem aval do Congresso ou licitação. Nesta época, a Acron já vinha negociando a compra por cerca de US$ 8,2 bilhões. Entretanto, uma crise política internacional jogou um balde de água fria nos planos da empresa russa.

Evo cai

Após a polêmica e conturbada quarta reeleição de Evo Morales para a presidência da Bolívia, uma série de protestos violentos no país exigiram que o candidato de origem indígena fosse deposto, o que aconteceu poucas semanas depois com a sua renúncia. Dentro deste aspecto de instabilidade, o fornecimento de gás natural, que já havia sido acordado entre Evo e Vladimir Putin, presidente russo, ficou incerto e Acron pediu uma dilatação no prazo da negociação.

O acordo previa a compra de 2,2 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, a serem transportados pelo gasoduto Gasbol a partir de 2023. A YPFB (Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos) teria, inicialmente, uma participação de 12% na fábrica.

Capacidade

A UFN3 foi idealizada para a fabricação de 70 mil toneladas de amônia e 1.22 mil toneladas de ureia granulada por ano. A expectativa é que o empreendimento gere cerca de mil empregos diretos e mais de 10 mil indiretos.

Distrito Industrial

Ainda segundo Jaime Verruck, além da diversificação da base econômica para o Estado, o projeto UFN3 propicia também a instalação de um distrito industrial em Três Lagoas. “Temos ainda, ao lado da fábrica, um distrito industrial que já foi constituído pela Prefeitura de Três Lagoas, preparado para atrair misturadoras de fertilizantes, indústrias que precisam dessa produção de ureia nitrogenada e CO² como matéria prima. Nossa ideia é conseguir vender não somente ureia para as empresas já instaladas, mas também que possamos atrair próximo da UFN3 um núcleo específico de fábricas de fertilizantes e misturadoras”, afirma o secretário.

Decisivo para o mercado

Com o crescimento pujante do agronegócio, a UFN3 se faz cada dia mais importante para Mato Grosso do Sul. Com uma fábrica de fertilizantes próxima, o gasto com insumos para a produção seria reduzido dando mais competitividade ao produtor do Estado no mercado internacional, tanto da soja, quanto do milho.

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