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Sem lockdown, "vai morrer gente por falta de leitos na próxima semana em Campo Grande", alerta infectologista

Para pesquisador da Fiocruz, se Prefeitura decretar lockdown hoje, os efeitos positivos virão em duas semanas

30 JUL 2020 - 14h:47Por Marcus Moura e Loraine França/CBN

Sem lockdown em Campo Grande na próxima semana pessoas poderão morrer devido à falta de leitos disponíveis nos hospitais. Foi esse o cenário que o pesquisador e infectologista da Fiocruz, Júlio Croda, previu na live do Boletim Coronavírus desta quinta-feira (30) para a capital morena se o poder executivo não intervir com medidas mais drásticas.

Croda explica que o crescimento da curva de novas infecções não é acompanhado pela oferta de novas vagas. “É importante a população entender e o gestor público entender que com a curva de crescimento dessa forma acelerada, o poder público não tem capacidade de acompanhar essa curva na oferta de leitos. Isso não é um fenômeno local, é mundial. Defendo do ponto de vista técnico que Campo Grande precisa adotar lockdown porque se não, na minha opinião técnica, já na semana que vem veremos pacientes morrendo por falta de leitos de terapia intensiva”, disse.

Se a Prefeitura decretasse o lockdown hoje (30), os efeitos só seriam sentidos daqui há duas semanas, por isso, a medida precisa ser implementada o quanto antes. “As próximas duas semanas serão muito complicadas para a cidade. Quanto mais adiar essas medidas, mais tempo nós viveremos os casos. O que a gente já observou é o que já foi instituído no passado, há duas semanas, não foi efetivo e o que está sendo proposto para as próximas duas semanas é flexibilizar. Eu me preocupo bastante com o que pode acontecer principalmente aqui na Capital”, alertou.

Na contramão

Na contramão do que diz a ciência, o prefeito Marquinhos Trad resolveu hoje flexibilizar o horário de funcionamento de diversas atividades, inclusive, do comércio. Diferente dos dois últimos finais de semana, nos quais Campo Grande viveu um mini lockdown, que fracassou na opinião do próprio Marquinhos, no próximo sábado (1), todo o comércio está liberado para o funcionamento.

Na explicação, Trad disse que o comércio foi muito prejudicado pela medida. “Não teve a adesão das pessoas. Algumas atividades econômicas deram suas contribuições, mas saíram prejudicadas”, alegou.

Crescimento alarmante

Há exatos um mês, Campo Grande tinha 2.536 casos de COVID-19 confirmados entre ativos, recuperados e óbitos. Nesta quinta-feira, já são 9.644 casos, quase três vezes (+280%) mais que no dia 30 de junho. Somente em julho, 119 já tiveram suas vidas ceifadas na guerra contra o vírus.

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