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A demolição do prédio do Fórum

9 FEV 2019 - 06h: Por Rosário Congro Neto

Notícias dão conta que, mais uma vez, querem demolir o antigo prédio do Fórum de Três Lagoas. Esta edificação em concreto armado data do ano de 1970 e foi mandada construir pelo ex-governador Pedro Pedrossian atendendo a apelo de advogados de Três Lagoas, ouvidos e apoiados pelo então secretário de Justiça e ex-prefeito da cidade, Francisco Leal de Queiróz. 

Esse prédio abrigava as varas do Poder Judiciário estadual em nossa Comarca até a construção de outro prédio, situado ao seu lado e à sua frente. Esse terreno sempre foi de propriedade do governo estadual. E abrigava, naquela época, as instalações do Departamento de Estradas e Rodagens – o antigo Dermat, incumbido em dar manutenção às estradas da região, que não eram asfaltadas e que, no período chuvoso, faziam o inferno de todos que por elas transitavam, como na estiagem, os sulcos de areia que nelas surgiam - chamados de facões de areia – também propiciavam o atolamento de veículos. A cidade e região não podia prescindir das instalações do Dermat. 

Era necessária a edificação de novas instalações. E foi, então, que surgiu a doação de área de 15 mil metros por Stênio Congro e Adib El Hage para que fosses erguidas novas e modernas instalações do departamento rodoviário, onde atualmente se encontra o Dersul, nos confrontos da avenida Antônio Trajano com a BR-158. 

Recorda-se que o Fórum de Três Lagoas, desde a instalação da Comarca, funcionou nas antigas instalações da prefeitura municipal, em seu salão nobre, onde também estava instalada a Câmara de Vereadores. Esse prédio está em pé, embora deva ser restaurado. Nele, por mais de 50 anos, funcionou a prefeitura municipal construída pelo então prefeito Rosário Congro. Essa história de luta e conquistas não pode e nem deve ser sepultada pela demolição do prédio antigo do Fórum da Comarca, construído no ano de 1970 para dar lugar à área de estacionamento de veículos de funcionários e usuários do Judiciário. É um crime de lesa os cofres públicos demolir esta edificação, que poderia ter abrigado a Defensoria Pública se os seus dirigentes não tivessem optado por construir um novo prédio e gastar substanciais recursos públicos, os quais  poderiam ser em parte direcionados para a reforma e adequação do antigo prédio que, apesar de apresentar deficiências na parte elétrica e sanitária pode ser bem utilizado. O bom senso recomendava a sua reforma antes da construção do novo prédio da Defensoria Pública. E, certamente, redundaria em economia de dinheiro em tempos de finanças combalidas pelo excesso de gastos ou má aplicação. 
Inacreditável a notícia que chega sobre a intenção cega e que há novamente vontade e  disposição em demoli-lo para dar lugar a um estacionamento de veículos, em tempos que mordomias estão sendo canceladas e sepultadas... Se o Judiciário não deseja mais utilizá-lo, que seja disponibilizado para o poder público estadual ou municipal, que paga aluguel de prédios na cidade para abrigar algumas de suas representações. Aliás, o prefeito atual já deveria ter feito essa solicitação de doação da área ou a celebração de um comodato para os próximos 30 anos. 

Como o Tribunal de Justiça do Estado, há poucos dias, empossou nova representação para a sua administração, fica aqui o alerta da sociedade de Três Lagoas que, pelas colunas do Jornal do Povo, já  fez em anos passados campanha que deu resultado para que o antigo prédio do Fórum não fosse demolido. Sua demolição representará desperdício de dinheiro público. Se ficou obsoleto para a administração da Justiça, outra destinação há de se procurar, pois não faltará outro organismo da administração pública para utilizá-lo. 

Uma reforma é mais barata do que mais uma construção, neste país de tantas obras faraônicas ou desnecessárias. Mas, caro mesmo será demoli-lo em tempos de arquivamento de práticas nocivas ao interesse público.


*É advogado, jornalista e diretor-geral do Grupo RCN de Comunicação 

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