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Mobilização com segundas intenções

29 MAI 2017 - 11h: Por Rosário Congro Neto

A concentração de diversos segmentos da classe trabalhadora em Brasília, reunindo representações sindicais das mais diversas regiões do país, tinha inicialmente ares de convocação legítima. Aliás, podem e devem quaisquer representações de trabalhadores, reivindicar a preservação de direitos e conquistas alcançadas ao longo do tempo. Não há porque diante das reformas preconizadas não se esgotar debates e negociações que proporcionarão o encontro das melhores soluções que as representações sindicais anseiam e consideraram ideais para as suas categorias.

Mas, se o caminho do entendimento é a melhor saída para questões controvertidas, também não há como se aceitar os rumos dados às manifestações registradas na capital da República. Deram sinais de que foram para lá não para dialogar ou protesta diante do Congresso Nacional que é o fórum maior dos debates para se alterar qualquer legislação, visando sensibilizar os congressistas.

Na atualidade, a reforma trabalhista é indispensável e inadiável, porque reforma sem previsões legais da obsoleta Consolidação das Leis do Trabalho – a CLT, que emperra a livre negociação nas relações de trabalho e engessa o empregador, além de claramente prejudicar a geração de empregos no país. É verdade que atravessamos grave crise econômica, agravada pela falta de ética na política. Mas, o que se  deplora  são os fatos registrados em Brasília, quando depredaram e incendiaram o patrimônio público, enfrentando agressivamente o frágil aparato de um contingente de fiscalização de trânsito, que teve que ser socorrido por força policial.

Não imaginavam as autoridades responsáveis pela segurança pública de que uma marcha de trabalhadores, fosse se tornar uma manifestação violenta e criminosa. Inaceitável que as lideranças das centrais sindicais destoem da racionalidade e do diálogo para patrocinar até ao Planalto Central uma legião de bárbaros que agem patrocinados pelo dinheiro arrecadado compulsoriamente pelos sindicatos.

Conscientes de que com o fim do recolhimento compulsório suas finanças serão  combalidas, promovem uma mobilização milionária contratando centenas de ônibus que partindo de vários recantos do país, reuniu uma legião de agressores da ordem pública e das instituições estabelecidas. Nenhuma agressão e transgressão ao patrimônio público ou lei, se justifica, mesmo vivendo em um país em tempos de impeachment de presidente e de forte convulsão vivida pelo atual mandatário, que arca na atualidade com os ônus de uma conversa que jamais deveria ter existido.

Infelizmente, acabou fisgado pela própria boca, criando diante de revelações cavernosas o clima de instabilidade que hoje vivemos, que não é de democracia, mas de gerência da coisa pública e de desconfiança nos integrantes do Congresso Nacional, que deveria estar deitado sobre as propostas que lá têm curso e votarem de acordo com os interesses maiores da Nação.

Não se desconhece que as centrais sindicais na atualidade dispõem de recursos milionários para mobilizar seus filiados através do  pagamento de diárias substanciais e do aliciamento de gente que recebe para engordar suas mobilizações. Estas mesmas centrais proporcionam aos seus mais graduados dirigentes uma vida farta e nababesca bem diferente de seus liderados. Encrustados nas diretorias de suas representações, desfrutam o farto dinheiro que recolhem. Certamente, não querem perder esta condição.

Para lembrar, em São Paulo uma destas centrais, promoveu no dia 1º de maio, último, uma mega concentração. Mas, para atrair simpatizantes, precisou sortear quinze carros populares. Pior, um dos seus dirigentes se apresentava com o pulso adornado por um caríssimo relógio da marca Rolex. Esse retrato de vida fácil de lideres sindicais, coloca em dúvida a sinceridade e os objetivos da marcha para Brasília nesta semana.

Para os que pensam um Brasil mais justo e grandioso, repleto de fartura, emprego, com governos éticos, com o fim da corrupção que solapa todos os sonhos de dias melhores para todos os brasileiros, a violenta manifestação ocorrida na Esplanada dos Ministérios, nos remete a conclusão de que um grande contingente instalado nas lideranças destes sindicatos e de alguns partidos a eles conexos, promove o  pensamento do  quanto pior melhor para através de suas ações se frear as mudanças que o país pacificamente precisa promover visando mais do que nunca um clima de prosperidade e entendimento entre todos os brasileiros.

Somos uma nação pujante, que não pode viver retrocessos e nem se ombrear com os tempos de convulsão vividos na Argentina e na atualidade pela Venezuela. Os brasileiros não podem e não devem ser intrigados. Temos e precisamos encontrar o entendimento sem segundas intenções ou pelo uso de capa de cordeiro em pelo de lobo.

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