Rádios On-line
9196
CBN AÇÃO 2019 PAULO VICENTE

Ano de expectativas

6 JAN 2018 - 06h: Por Rosário Congro Neto

Eleições e Copa do Mundo marcarão os principais acontecimentos de 2018. O primeiro promete uma faxina eleitoral enxotando da vida pública quem nela está e não correspondeu às expectativas do eleitorado que deseja mudanças. Aliás, “nunca na história deste país” registrou-se tanta corrupção, desmandos administrativos, incompetência no trato da coisa publica. Os fatos são de conhecimento geral, abalam a crença e confiança nas instituições e nos representantes do povo, infelizmente, porque a opinião pública nivela os agentes públicos e os acusa de abusados sem distinção. Nesta linha de pensamento corremos o risco da generalização que propicia a expulsão da vida política do país e dos estados pessoas corretas que primam pela honestidade, além do exercício permanente de conduta ética e pelo fiel exercício do mandato que lhes foi outorgado pelo eleitor. Também, corremos o risco de vermos falsos arautos de bandeiras da esquerda ou da direita abocanharem mandatos eletivos em nome das mudanças que todos queremos.

Com frequência ouvimos dizer que a volta de militares colocará o país nos trilhos ou que a representação máxima da esquerda salvará os brasileiros das dificuldades matérias que vivem. A amadurecida democracia brasileira não pode sofrer golpes no processo continua evolução que hoje registra depois dos tempos duros da ditadura de 1964. O Brasil ganhou uma nova Constituição, embora, e, injustamente, muitos a apontem como responsável pelos males que o país vive, como se não fossem os governantes ou aqueles que os escolheram, os maiores responsáveis por esses mesmos males - o eleitor desavisado. Estes deixaram de aprofundar suas análises do que mais é conveniente para a coletividade na hora da opção e do exercício do voto. 

A deposição de dois presidentes da República pelas Casas do Congresso Nacional, certamente, nos remete a refletir pondo na balança os prós e contras dos acontecimentos da vida do país que vivemos e acompanhamos. Uns de acordo e outros contra a cassação do mandato presidencial, principalmente, no caso do último episódio de impedimento do exercício da presidência da República. O país está cindido, basta que consultemos as pesquisas de opinião pública. Dois nomes na atualidade lideram as pesquisas. Cada um representa um extremo da opinião pública nacional, pelo menos na atualidade. 

Um deles é o patrono de tudo que foi engendrado e urdido para combalir social e economicamente o país durante um longo período da vida dos brasileiros. E o outro, representa a tendência de um regime que abominamos. 

Mesmo estando em curso um processo de revisão nacional onde o Poder Judiciário é convocado a julgar casos de corrupção “nunca antes vistos neste país” e deliberar à luz de julgamentos fatos de repercussão jurídica, os quais são interpretados nas mais variadas formas ou conveniências diante do vazio da lei, o fato é que nenhum julgador está livre do duro veredito da opinião pública que se posiciona a favor ou contra. Embora, a nossa economia esteja em fase de recuperação, o desemprego em escala descendente, é certo que a situação precária das finanças públicas exige recato no gasto do dinheiro público. 

Entretanto,  deliberadamente setores de representação de classes que envolvem trabalhadores, servidores da administração pública direta, assim como todas as representações envolvidas na administração da Justiça reagem fortemente contra a reforma da previdência ou do estabelecimento do teto máximo da remuneração salarial no serviço público. Há de se perguntar: até onde o país aguenta e conseguirá cumprir suas obrigações. Em linhas gerais está claro, internamente,  a situação precária do Brasil, que se agrava com uma divisão muito forte de opiniões. Mas, o pior é que as pessoas estão enfurecidas, radicalizando opiniões, como se vivêssemos uns contra os outros. Lamentável para os brasileiros e para a vida do país essa divisão onde se quer defender “o seu” a qualquer preço sacrificando o estabelecimento de uma política mais igualitária e de promoção humana para os extratos mais fragilizados economicamente da sociedade brasileira. 

Certamente, se o clima continuar exacerbado, as opiniões irredutíveis e as pessoas não pararem para uma reflexão desapaixonada do momento que vivemos, perderemos a racionalidade e viveremos mais um período de atraso. E mais, veremos um Brasil da grandeza que somos e do que podemos representar para o mundo enredar-se em mais um período de enormes sacrifícios e retrocesso. Não será com a paixão do brasileiro – o futebol, que mostrará o quanto somos bons de bola em um certame da envergadura de uma Copa do Mundo, que  amenizará as nossas aflições. Todas essas constatações e expectativas aumentam de grau e intensidade diante da possibilidade de em nome da faxina eleitoral elegermos uma representação popular para o Congresso Nacional medíocre e sem capacidade para mudar o que queremos. Essa quadra da vida nacional exige comedimento nos julgamentos e serenidade na hora da escolha nas urnas.


*É jornalista, advogado e diretor-presidente do Grupo RCN de Comunicação.

Deixe seu Comentário