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CBN AÇÃO 2019 PAULO VICENTE

É tempo de dar rumo

30 MAR 2019 - 07h: Por Rosário Congro Neto

O presidente Jair Bolsonaro pode-se dizer é uma especialista em redes sociais. Há informação que está entre as cinco primeiras personalidades do mundo em número de seguidores. Ótimo. Mas, tristemente, constata-se dia após dia que ele, costumeiramente, coloca de lado a relevância do cargo que ocupa e, como num arremedo das condutas do presidente norte-americano, se vale para atacar debater temas que em nada contribuem para o restabelecimento da normalidade e construção do país. 

É tão grave o uso indevido das redes sociais pelas opiniões que externa que até a Bolsa de Valores já sofreu baixa. E, para agravar as circunstâncias, seus filhos usam as mesmas redes sociais para censurar, atacar pessoas e acontecimentos, confundindo família com o exercício do poder. Não vivemos um país imperial e o exercício da Presidência não é consórcio familiar. As condutas devem ser republicanas, observando-se a liturgia do exercício da Presidência.

As idas e vindas de opiniões externadas, invariavelmente, colocam o presidente em um palanque de comício - onde políticos armam jogos de palavras apenas para agradar a opinião pública ou os setores que representam. E é justamente quando o presidente torna público o que pensa que os prejuízos vêm à tona para a Nação.

Países de estreita relação comercial se sentem ameaçados e pode haver prejuízos para o setor produtivo caso busquem outros parceiros. A Bolsa despenca, o dólar dispara e, para agravar nestes 100 primeiros dias de governo, nenhuma medida substancial foi adotada.

O crédito bancário continua estratosférico porque os juros não baixam e o empresariado que tem disponibilidade financeira fica na retaguarda, aguardando dias melhores.  Isso tudo sem contar a fuga de capital estrangeiro, entre outros resultados críticos. 

Ao mesmo tempo, e pior, o clima no Congresso esquenta. Ninguém que ver restabelecido “o dando é que se recebe” na política, conforme os ensinamentos de São Francisco de Assis, lembrado no passado pelo deputado e ex-ministro Roberto Cardoso Alves, de São Paulo. Mas, é fato que o Congresso não pode ser maltratado e o presidente sabe por que lá viveu e conviveu durante 28 anos. 

O país atravessa situação tão grave que se, por uma infelicidade nacional, não se aprovar a reforma da Previdência, faltará dinheiro, em bem pouco tempo, para pagar aposentados e pensionistas, como também para a manutenção da educação, saúde e da segurança pública - setores avariados pelos governos que antecederam o presidente Bolsonaro.  

Também não haverá um tostão sequer para a execução de obras de infraestrutura urbana, assim como os demais serviços que a União, estados e municípios têm como encargo. 

Todos sabem da gravidade socioeconômica que atravessamos. E sabem, também, que está na hora de se conter a incontinência verbal, que chega a ser destemperada, e evidencia ideia que a ninguém se aproveita.

Consultar o seleto e sensato núcleo de colaboradores próximos no Palácio do Planalto é a melhor providência que asseguraria ao presidente uma caminhada mais segura. As farpas trocadas por ele com o presidente da Câmara dos Deputados não levam a lugar algum e nem contribuem para a construção do país. 

A determinação presidencial para se voltar a celebrar a revolução de 31 de março só põe mais lenha na fogueira. A anistia foi geral e irrestrita. Não há mais lugar para travestir a interpretação dos acontecimentos verificados naquele período. 

São tão confusas e atabalhoadas algumas decisões que, aliás, sequer deveriam ser lembradas diante da rejeição de incontáveis setores da sociedade civil. No caso desta celebração, o próprio presidente a dizer que seria uma rememoração. Ora, teria um presidente que perder tempo e fosfato com assuntos que só esgarçam a memória nacional? 

É inquestionável o patrimônio eleitoral do presidente, mas as pesquisas apontam declínio de aprovação de opinião pública nunca registrado entre os seus antecessores. Ninguém deseja insucesso do presidente da República. As eleições se findaram e o que o país precisa é de recuperação em todos os setores da administração pública, tornando-a efetiva, operosa e de resultados.


*É advogado e diretor-geral do Grupo RCN de Comunicação.

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