Rádios On-line
9196
CBN AÇÃO 2019 PAULO VICENTE

Extremismo perigoso

30 MAR 2018 - 11h: Por Rosário Congro Neto

Em véspera de eleições vislumbra-se um quadro de polarização entre a esquerda e a direita. Essa situação mais cria problemas do que soluções, pois o radicalismo não leva a lugar nenhum. O país vive grave crise política, ética e moral. E só encontrará saída pelo voto consciente, cuja escolha deverá recair sobre candidato, seja para qual cargo for, de conduta e passado irrepreensíveis, além de dar mostras de capacidade para enfrentar este turbilhão que vivemos e competência para exercer um mandato popular que nos conduza aos caminhos que procuramos há muitos e muitos anos. 

Teremos, pelo menos, nas próximas eleições escolher entre os nomes que forem apresentados os que mais tenham saldo positivo na vida pública e privada. Quer queiram ou não, não se pode passar a régua e conceitualmente nivelar as pessoas e candidatos para baixo. A política sempre indicará os caminhos que devem ser trilhados. É na prática da política sadia que as soluções surgem. 

Certa feita, ouvi em uma cerimônia pública que não podemos conviver em clima de brasileiros contra brasileiros. Não são bons para a democracia os acontecimentos de violência verificados no sul do país. Não é crível que respiremos ares de luta fraticida a favor ou contra um candidato ou partido e até mesmo contra aqueles que têm opinião contrária a nossa.

Invariavelmente tem surgido em rodas de bate papo pontos de vista que causam preocupação diante da desinformação ou conceitos deturpados que são externados, ora detratando os poderes da República, ora pessoas. Vivemos uma fase de acusações e reprovações generalizadas, as quais causam incertezas evidenciando a instabilidade que o país pode ser conduzido. Evoluímos política e institucionalmente, porque a despeito de tudo que vemos e ouvimos, respiramos democracia.

Mas, poderemos respirar ares de retrocesso institucional se, irresponsavelmente, continuar circulando nas redes sociais essa avalanche de mentiras plantadas, as quais visam a desestabilização do próprio país. As notícias falsas que são despejadas nas redes sociais, intrigando os desavisados, além de disseminar conceitos e fatos inverídicos, tem uma única finalidade causar a desestabilização da harmonia social e política.  Esse quadro é grave e precisa ser combatido nas suas origens. 

A mentira replicada pela força das mídias sociais se propagam como um rastro de pólvora. As reações violentas noticiadas nas redes sociais na passagem da caravana do ex-presidente Lula pelo sul do país, revelam reprovação, além de um inconformismo selvagem que não se aproveita à democracia e nem ao resultado legítimo que as urnas  revelarão. 

É pelo voto que há de se promover mudanças em clima de paz e concórdia. É verdade que precisamos de gente capaz e com espírito de brasilidade para mudar o que queremos. Os partidos políticos atualmente funcionam como cartórios, onde apenas se homologam e legitimam-se candidaturas, as quais não estão sintonizadas com uma doutrina e um programa. 

O elevado número de partidos constituídos no país compromete a democracia e a legitimidade do resultado eleitoral. Essa é questão que precisa ser combatida e mudada, até porque muitos deles se tornam partidos de aluguel para aumentar o tempo no horário eleitoral gratuito ou servir de instrumentos de ataque de outros interessados. É imperativo reduzirmos para menos de dez os partidos políticos no Brasil e permitir, até, candidaturas independentes. 

Acabar com a obrigatoriedade do voto, com o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e restabelecer como via de consequência a capacidade de mobilização de candidatos e partidos.

O contato direto, o olho no olho com os eleitores e as comunidades será altamente benéfico para a depuração do processo eleitoral nocivo da atualidade, onde a farra repousa no fundo partidário que sustenta as distorções que verificamos dia após dia. Por isso, a instituição do voto distrital permitirá a escolha de parlamentares comprometidos com regiões – os chamados distritos. Essa prática permitirá melhor se identificar os problemas regionais e a eles dar encaminhamento mais satisfatório.

O Brasil precisa de uma reforma política. Se atualmente se pratica o presidencialismo de resultados, quando o presidente da República convoca cada parlamentar para discutir ou votar uma proposta legislativa, seja ela qual for, também é verdade que esta prática levanta suspeita e turva a vida constitucional da Nação.

Os brasileiros precisam vivenciar e acompanhar com informações corretas o desenrolar da vida pública do país. Se a opinião pública aceitar como verdadeiras as falsas notícias que circulam, inevitavelmente o processo eleitoral do país estará comprometido. A manipulação da opinião pública, a reação irracional, a aceitação sem o estabelecimento de critérios de julgamento baseado em informações verdadeiras, a generalização de que ninguém presta ou vale a pena ser votado e até mesmo votar, nada mais é do que extremismos perigosos que devemos ter cuidado.


*É diretor-presidente do Grupo RCN de Comunicação.

Deixe seu Comentário