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Por que não mudar?

29 JUL 2017 - 09h: Por Rosário Congro Neto

Está mais do que evidenciado que daqui a uns anos a Previdência Social não conseguirá cumprir seus compromissos com aposentados e pensionistas. Mas, o coro dos contras, interfere na opinião pública e cria uma corrente de opositores à reforma da Previdência sob a alegação de que não é boa para o trabalhador.  Partidarizadas as centrais sindicais insistem em afirmar que o prejuízo será grande para o trabalhador. A mesma arenga essa tropa diz em relação a reforma trabalhista, cujo teor não revogou nenhuma conquista e  direitos da classe trabalhadora. Pelo contrário, estabeleceu uma relação mais saudável entre o patronato e empregados, contrariando interesses daqueles que sai ano entra ano continuam incrustados nas diretorias dos sindicatos, vivendo nababescamente e patrocinando movimentos sem razão e contundentes quando deflagrados com os recursos financeiros advindos da contribuição sindical compulsória que está revogada pela reforma. Quem quiser que contribua espontaneamente para o seu sindicato. Não há e nem houve até agora proposta prejudicial à ordem social e pública. A reforma trabalhista irá estancar a avalanche de reclamações na Justiça do Trabalho. Acabou a loteria da ação trabalhista que propõe milhões para receber numa negociação direta de conciliação importância infinitamente inferior da proposta. O país não suporta pagar uma folha de pagamentos para funcionário público aposentado maior da que paga para o da ativa. O estabelecimento do teto salarial na administração pública conterá os excessos e as distorções. Também, não dá para ver e ouvir sem reagir, a deliberação do Procurador da República em estabelecer um aumento de 16,7% para o seu quadro, quando a maioria da classe trabalhadora sequer chegou a 7%. Igualmente, inaceitável nestes tempos difíceis, que outros organismos autônomos financeiramente da administração pública insistam em pagar ao seu quadro de pessoal auxílio moradia, alimentação, cota de contribuição para a educação e por ai vai afora um elenco sem fim de muitos benefícios. Se antes os tempos eram fartos, hoje não os são. A situação é diferente e precisa ser ajustada. Sequer querem saber, se perdurar a situação como serão pagos. Todos reclamam da elevada carga tributária que recaí sobre os ombros do empresariado. E, nesta questão se inclui, também, o funcionalismo público, altamente penalizado por elevados índices cobrados na rubrica do imposto de renda retido na fonte. É verdade que os gastos públicos precisam ser mais bem administrados. Inaceitável a farra com o dinheiro que deixa de ir para a saúde, educação, segurança, pública, saneamento básico e para muitos outros setores que atingem diretamente a população brasileira.  A máquina administrativa tem e deve encolher. As Casas Legislativas precisam ter mais recato, menos desfaçatez com o consumo desbragado dos recursos públicos que lhes são encaminhados por conta da arrecadação verificada mensalmente. O plano de demissão voluntária é mecanismo saudável, mas será que haverá número suficiente de pessoas que queiram deixar a administração pública para ingressar na atividade privada, já que a “viúva” é tida e havida como rica e de possibilidades inesgotáveis? O reforma tributária é mais do que necessária. Os impostômetros atestam o quanto o poder executivo recolhe de todos os setores da atividade. Chega ser revoltante ver que o dinheiro público não reverte benefícios ao povo, porque se constata uma gestão perdulária e repleta de desvios.  É preciso mudar. Mas para mudar, também é preciso reformar a política e suas práticas no Brasil. Inconcebível que tenhamos mais de 45 partidos políticos que querem consumir mais de R$3,6 bilhões dos cofres públicos a título de fundo partidário e que entre eles será distribuído. O país reclama uma profunda mudança, que inclui o sistema de governo e a forma da representação parlamentar.  Mas se vivemos uma fase onde todos querem mudanças, também temos por obrigação debater entre os que nos rodeiam e com sinceridade e sem paixão política estas questões, as quais na sua maioria estão desfocadas e desvirtuadas na opinião pública desavisada ou vítima de manobra dos arautos do quanto pior melhor.

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