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Situação grave

8 JUL 2017 - 08h: Por Rosário Congro Neto

A instabilidade política no país gradativamente se agrava. A pegadinha do delator Joesley da J&F no presidente da República, talvez combinada com aqueles que recepcionaram a delação, colocou a administração pública do Brasil desde o presidente Temer a ministros de Estado, governadores e parlamentares de atuação destacada no Congresso Nacional em situação de extremo constrangimento até provarem que “focinho de porco não é tomada, se é que alguns conseguirão. A publicidade dada aos fatos delatados pela força tarefa inquestionavelmente lança dúvida e coloca em descrédito os neles mencionados.

De uma conversa informal e repleta de reticências, mas engendrada com a narração de fatos que saltam aos olhos, o delator presidente da J&F conquistou como premio o direito de continuar indo e vindo da sua cobertura em Nova York e por cima livrou-se de prisão preventiva a despeito da sua criminosa conduta pessoal e empresarial. Mas, para o Supremo Tribunal Federal Joesley terá que provar na integra os fatos que alegou, sob pena de cair por terra a delação bem engendrada. E,  ainda, lhe custar uma cadeia mesmo que curta, mas correcional para não mais praticar atos que ferem as leis do país, além de ter que devolver em dinheiro os benefícios fiscais e financeiros que obteve. Enquanto pairam dúvidas e os fatos se apresentam como indiciários, merecendo apuração, tudo caminhará tropegamente na vida política do país.

É sabido que a apuração em inquérito de natureza penal se arrasta demoradamente, enquanto que as autoridades policiais não reúnem todas as provas sobre fatos alegados e tudo se esclareça. Os brasileiros tomaram pela publicidade dada às operações policiais da Lava Jato conhecimento mais detalhado do assalto perpetrado por agentes políticos na Petrobras, assim como em outros organismos da administração pública direta e indireta. E, como consequência, uma onda de perplexidade e indignação tomou conta da alma dos brasileiros, que mais conscientes dos males que nos afligem dão sinais de cobrança por conduta mais ética no exercício da representação funcional na administração pública e na política. Verifica-se que a corrupção é endêmica, alastra-se por todos os recantos da União, passando por estados e municípios.

Há de se por um fim nesta situação escabrosa. Mas, para que iniciemos um novo tempo impõe–se ampla reforma política e partidária, além da mudança de regime para o parlamentarismo, que instituído com um Congresso Nacional bem alicerçado ideologicamente, e, sobretudo, ético, colocará o país na normalidade sem os grilhões dos maus intencionados. Enquanto, essa mudança não acontece o certo é não nos deixarmos abater. Lutar contra dificuldades e estabelecer metas sem depender do governo na manutenção da atividade constitui desafio que há de vencermos. Os dias correm céleres e a expectativa fica por conta da decisão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal até a próxima semana, quando será votado o parecer do relator indicando ou não o prosseguimento do trâmite da denúncia apresentada pelo Procurador Geral.

Enquanto se aguarda essa votação, o presidente continuará sangrando no governo e acossado diante da promessa de novas denúncias que a PGR promete apresentar no STF. Mas, se aceita a denuncia em curso, esta irá para  votação em plenário pelos deputados federais. Lembra-se que na votação do impeachment da presidente Dilma , deputados votaram em cascata pelo seu afastamento por até 180 dias e julgamento final. Tal como ontem, hoje, os parlamentares também estão vigiados e acossados pela ameaça da opinião pública, diante da transmissão ao vivo da sessão na Câmara Federal que irá  apreciar o recebimento ou não da denúncia. É possível que a história se repita. E mais uma vez, o país verá e viverá as agruras de mais um agravamento da política nacional. Melhor seria, se deputados e senadores aceitassem encurtar seus mandatos diante de uma convocação de eleições gerais e o presidente da República se desgarrasse do cargo.

 Assim, poder-se-ia apressar a retomada da normalidade institucional e reestabelecer o desenvolvimento econômico do Brasil, além de se proporcionar a devolução  da autoestima dos brasileiros, que na atualidade está em baixa. Ninguém desconhece que há um confronto entre as classes empresarial e a trabalhadora. Mas, esta é outra grave questão que precisa mais do que nunca ser discutida e equacionada como corolário das mudanças que o país tem que experimentar.  

 

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