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Calote do crédito entre empresas afeta seguradoras

Seguradoras sofrem o impacto de um trimestre marcado pelo crescimento do calote do crédito entre empresas. Número de sinistros nessa modalidade de seguro cresceu cerca de 13%

15 MAI 2013 - 12h:45Por Redação

Apesar de os índices de inadimplência registrados pelo Banco Central terem se estabilizado no início de 2013, alguns indicadores ainda mostram uma deterioração da capacidade das empresas em quitar suas dívidas.

Não só os números da Serasa mostram um crecimento de 30% nos pedidos de recuperação judicial como o índice de sinistros dos seguros de crédito, que têm o propósito de quitar recebíveis comerciais entre empresas, cresceu fortemente.

De acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) compilados pela corretora Marsh, o número de sinistros cresceu 13% no primeiro trimestre deste ano quando comparado a igual período do ano anterior.

A deterioração do cenário teve impacto direto no mercado brasileiro de seguro de crédito que teve um recuo de receita de 17%, ao somar R$ 63 milhões.

No ano passado, enquanto os prêmios das seguradoras cresceram 42%, os sinistros já haviam disparado 186%, influenciados, principalmente, pela dificuldade das distribuidoras em honrar seus compromissos e também das empresas do setor siderúrgico, que sentiram os efeitos da variação do preço do aço, de acordo com Kiyoshi Watari, responsável pela área de seguro de crédito e risco político da corretora.

"Historicamente, o primeiro trimestre do ano é mais fraco para o mercado de seguro de crédito. O que nos surpreendeu foi o avanço dos sinistros, o que indica continuidade do movimento observado em 2012", afirma o executivo.

Daniel Nobre, diretor comercial da seguradora Coface credita o aumento da sinistralidade se deve à frustração quanto às expectativas de crescimento econômico.

Para ele, muitas empresas se posicionaram no país nos últimos três anos a fim de capturar as oportunidades prometidas, inclusive alavancando suas estruturas de capital.

"À medida que os planos não se concretizaram, muitas companhias se viram em apuros", diz o executivo que tem uma opinião divergente de Watari. "Com um prêmio mais adequado ao risco e maior seletividade de aceitação do risco, a tendência é de arrefecimento dos índices de sinistros", completa Nobre.

Entenda-se por "prêmios mais adequados ao risco" um aumento dos custos das apólices. Watari, da Marsh, diz que dependendo do setor, os custos já cresceram entre 20% e 30%. "Segmentos ligados ao consumo vão bem e não têm restrições com as seguradoras. Porém, setores ligados à indústria de base viram de perto aumento de custos e restrição na aceitação do risco, principalmente os de siderurgia, de papel e celulose e de agronegócios."

A despeito do cenário desafiador, as seguradoras acreditam ser razoável crescer entre 15% e 20% este ano. A Coface, por exemplo, aposta em avanço de 15% das receitas este ano quando comparado a 2012.

"Sempre quando uma empresa registra perdas com crédito é algo inesperado. Isso leva à quebra de paradigmas e ao aumento da consciência sobre a importância de segurar riscos de crédito", pondera Nobre.

No levantamento elaborado pela Marsh, as seguradoras projetam avanço de 20% em receitas este ano, embora Watari acredite que seja uma meta ambiciosa. "Diante dos resultados do primeiro trimestre, esse número será difícil de ser alcançado", diz ele.

Ainda segundo o especialista, o produto é pouco conhecido no mercado brasileiro, o que contribuiu para a elevação da demanda em cenários como o atual. "Estimamos que existam 300 e 400 apólices de seguro de crédito no mercado brasileiro, o que é pouco se comparado à economia como um todo. Em geral, 80% dessas apólices são contratadas por empresas multinacionais."

E é essa expectativa que deve atrair outras três seguradoras ao mercado de seguro de crédito - além das sete que já atuam no segmento: Ace Seguradora, QBE e XL Seguros Brasil. Todas foram procuradas pela reportagem do Brasil Econômico, mas nenhuma retornou os contatos.

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