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Cassilândia e Paranaíba põem MS no mercado da borracha

Técnicos projetam expansão do cultivo de seringueiras e consolidação do Bolsão

25 AGO 2012 - 08h:35Por Divulgação

A expansão do cultivo de seringueiras em Cassilândia e Paranaíba vai tornar o extremo norte do Bolsão um polo da borracha. Em Paranaíba, a heveicultura está adotando tecnologias que vão assegurar altos índices de produtividade.

O látex, extraído da seringueira, é matéria-prima para fabricação de mais de 40 mil produtos de borracha, como o pneu, por exemplo. A expectativa é de que daqui a duas décadas, o Estado torne-se o segundo maior produtor brasileiro de borracha natural. Para atingir esse estágio, projeta-se o plantio de cerca de 30 milhões de seringueiras até 2020. Hoje, os seringais ocupam apenas 3.500 hectares.

“Estima-se que em 20 anos, a demanda por borracha será muito maior do que a capacidade que países asiáticos terão em atender”, diz o engenheiro agrônomo e instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de MS – Senar/MS, Antônio de Pádua Alvarenga.

Uma das vantagens no plantio da seringueira é seu longo período de produção, que pode ser intercalado com outras culturas como arroz, milho, feijão, abacaxi, pupunha, café ou consórcio com a pecuária antes da sangria para a coleta da seiva.

Além do grande tempo de produção do seringal e da sua utilização como reserva legal após a sangria, a madeira também pode ser usada na fabricação de móveis, artigos domésticos, como fonte de energia com a sua transformação em carvão e ainda na produção de celulose.

Todas essas vantagens trazem grandes oportunidades aos municípios de Cassilândia e Paranaíba, além de Chapadão do Sul e Costa Rica. Em Paranaíba, o empresário Orismar Tiago da Silva tem 40 hectares plantados e deve começar a produzir em até três anos, com perspectiva de faturar R$ 19 mil/mês.

DEPENDÊNCIA
Hoje o Brasil produz apenas 30% das 400 mil toneladas de borracha. As importações custam R$ 2 bilhões ao ano e a perspectiva de autossuficiência assenta-se no fato de o Brasil ser um dos poucos países no mundo com espaço e clima para o plantio.

Em nível nacional, Bahia e Espírito Santo detêm as maiores áreas dos seringais brasileiros, devido à proximidade com as fábricas que processam a borracha, o que facilita o trabalho de logística. 

Em Mato Grosso do Sul, o governo do Estado criou o Plano para Desenvolvimento Sustentável de Florestas Plantadas, que define estratégias para o desenvolvimento florestal e prevê o plantio de 1 milhão de hectares de florestas até 2030.

O aumento na demanda já chama a atenção de órgãos como o Senar/MS, que capacita técnicos no setor, e promove ciclos de palestras sobre florestas plantadas, como no caso do Programa Mais Florestas. As agroindústrias também têm voltado a atençãopara o desenvolvimento do setor no Estado.  
Em Cassilândia, a Cautex Florestal aposta em um complexo com projeção da ampliação de seringais paralelamente à construção de um parque industrial para beneficiamento da borracha natural.

Para especialistas, é uma questão de tempo até que a heveicultura afirme-se em Mato Grosso dos Sul, mas é preciso investir em capacitação de mão de obra.
 

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