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Economistas do governo apostam em inflação abaixo da meta de 4,5%

A avaliação é do secretário adjunto de Acompanhamento Econômico da pasta, Antonio Henrique Silveira

22 JAN 2009 - 08h:24Por Redação

A expectativa dos técnicos do Ministério da Fazenda é que a inflação de 2009 fique abaixo de 4,5%, centro da meta estabelecida pelo governo. A avaliação é do secretário adjunto de Acompanhamento Econômico da pasta, Antonio Henrique Silveira.

“A nossa expectativa é que nesse ano a inflação fique abaixo do centro da meta. Com essa dinâmica de preços de commodities [soja, minério de ferro] e a reação da economia brasileira ao choque do dólar, que foi um subproduto da crise financeira, com a reação dos últimos dois meses, temos clareza de que não é só possível ficar no centro da meta, é mais do que provável ficar abaixo do centro da meta. O quadro inflacionário está muito tranqüilo”, avaliou Silveira.

A inflação baixa, para o governo, significa que, mesmo diante da crise financeira internacional, cujos efeitos foram sentidos no Brasil com mais intensidade no último trimestre de 2008, há espaço para estimular investimentos com o objetivo de garantir empregos. Dentre esses estímulos, inclui-se a redução da taxa de juros, sobre a qual o governo evita opinar, deixando a decisão exclusivamente para o Banco Central.

“Do ponto de vista da política macroeconômica, o ideal é que se tenha inflação baixa. Não é bom que se tenha deflações exageradas. Por isso o Ministério da Fazenda entende que há espaço para dar estímulo para a economia sem comprometer o processo inflacionário. É claro que a decisão sobre juros cabe exclusivamente ao Banco Central, mas hoje a gente tem clareza de que é possível manter esses estímulos", considerou o secretário.

O maior entrave do governo, de acordo com o secretário, é a capacidade de estimular a inciativa privada para investir em projetos que necessitam de um aporte imediato de grande quantidade de recursos. Por esse motivo, o governo decidiu manter a construção de infra-estrutura ferroviária com recursos públicos e também adiou os leilões de concessão para a operação dessas ferrovias para o segundo semestre de 2009, quando espera ter uma situação econômica mundial mais estável.

“Estamos em um momento de estrangulamento do mercado financeiro e a capacidade de mobilizar capital de terceiros, seja através de empréstimos e financiamentos, seja através de mercado de capitais, é limitado”, avaliou o secretário. “Não quer dizer que seja inviável fazer uma licitação. O momento precisa ser muito bem escolhido. O efeito de se colocar um leilão e não aparecer comprador é muito ruim”, justificou.

O secretário disse ainda que o governo vai ainda reduzir, ao máximo, as despesas com custeio do setor público, com o objetivo de priorizar os investimentos. “Vai ser preciso fazer uma gestão de boca-de-caixa, extremamente cuidadosa. Isso foi o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que fosse feito”, disse o secretário.

A preocupação principal, de acordo com Silveira, é conter as demissões das empresas privadas, que em dezembro atingiram níveis maiores que a média do mês. De acordo com números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados no início da semana pelo Ministério do Trabalho, houve 650 mil demissões em dezembro, mês que geralmente registra uma taxa de demissões de 300 mil.

“Sem dúvida houve impacto da crise na economia brasileira. Mas, em relação ao emprego, não estamos em uma situação de corte generalizado de vagas em todos os setores. Alguns setores foram mais atingidos, e o governo tem se mobilizado para ajudá-los, como o automobilístico, que teve isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Os setores ligados ae alimentos, ao comércio varejista, em geral, ainda não perceberam sinais de crise . Eles continuam com expectativa real de crescimento para 2009, porém em um patamar um pouco abaixo de 2008”, destacou.

De acordo com o secretário, o governo federal espera que os estados também contribuam com a desoneração da cadeia produtiva com o objetivo de estimular os investimentos privados, uma medida que beneficiaria setores de máquinas e equipamentos, muito prejudicados atualmente com os adiamentos dos projetos por parte dos investidores privados.

“O setor de máquinas e equipamentos percebeu o impacto do cancelamento dos novos investimentos, tendo uma retração. O governo está procurando espaço para baratear o investimento. Existem possibilidades de inciativas federais para baixar a carga tributária nos investimentos”, considerou.

Para o secretário, o momento mais crítico da crise financeira internacional e seus efeitos no Brasil foi superado com medidas que garantiram a liquidez do sistema bancário no final de 2008, como a liberação do empréstimo compulsório, por exemplo. “Já passou o momento mais agudo da crise. Havia risco de paralisia da atividade econômica por falta de crédito. Não há mais sinais de crise no sistema bancário no Brasil. Os balanços do terceiro trimestre foram publicados e mostraram que os principais bancos estão em uma posição sólida. Não vemos risco de crise bancária”, destacou.

 

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