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13% dos calouros no Sisu migram de estado em 2013

Sistema selecionou 119 mil novos universitários para 101 instituições

16 MAI 2013 - 12h:35Por Redação

Mais de 15 mil jovens brasileiros aprovados no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) vão estudar em 2013 em universidades públicas de estados diferentes ao de sua origem. Levantamento feito pelo Ministério da Educação e obtido com exclusividade pelo G1 mostra que a mobilidade – que corresponde ao número de calouros que se matricularam fora de seu estado de origem – chega a 13% neste ano. Em alguns casos, a mudança atravessa o país, como os 40 estudantes gaúchos que vão estudar no Amazonas, os 15 alunos do Pará matriculados em São Paulo e os 71 paulistas que irão para Alagoas.

De acordo com os dados do MEC, tabulados no início de maio, já foram realizadas 118.996 matrículas em 101 instituições pelo país. Durante as inscrições, foram oferecidas 129 mil vagas. Quase 2 milhões de pessoas se inscreveram no processo. Das matrículas já realizadas, 15.671 foram feitas por universitários que terão de mudar de estado para cursar o ensino superior. Ao menos um terço irá para estados que não fazem limite com a velha moradia.

O Sisu seleciona estudantes exclusivamente por meio da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O fluxo migratório na educação superior é maior a cada ano, dadas as inclusões de novas universidades no Sisu. Criado em 2010 pelo governo federal, o programa contava, em seu ano de origem, com 47,9 mil vagas em 51 universidades. Desde então, o número de instituições participantes dobrou e o de vagas quase triplicou.

Para participar da edição do ano que vem do sistema, é preciso se inscrever no Enem 2013 até o dia 27 de maio.
Em entrevista ao G1, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, diz considerar positivo esse fenômeno migratório. "Tudo isso são novas opções para todos os estudantes do Brasil. A regra geral é que a ampla maioria da preferência está muito associada à vida local. A mobilidade tem dado em torno de 13%, o que é bastante razoável. Somos uma nação, isso enriquece o Brasil culturalmente. É muito interessante que haja essa mobilidade no Brasil, o convívio de outras culturas, isso ajuda a construir identidade nacional, enriquece a experiência do estudante."

A seleção para o Sisu foi feita em janeiro, mas, devido à greve nas instituições federais em 2012, que "empurrou" o último ano letivo para abril deste ano, a maior parte das aulas começa agora em maio. Alguns estudantes já providenciaram a mudança; outros ainda preparam a despedida da terra natal.

Estados com mais forasteiros
Proporcionalmente, o estado que mais receberá calouros do Sisu de fora é o Paraná: 27% de todas as matrículas são de estudantes "forasteiros" – a maioria dos vizinhos São Paulo e Santa Catarina.

Em números absolutos, Minas Gerais é o estado que mais receberá universitários migrantes. Segundo os dados, 2.437 alunos de todos os estados do país (com exceção da Paraíba) cursarão o primeiro ano da graduação em 17 instituições mineiras.

Já no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, as instituições terão pelo menos um representante de cada uma das unidades da federação. São Paulo, por sua vez, é o maior "exportador" de estudantes (4.839) e o que terá representantes em mais lugares: são 24 estados e o Distrito Federal. Apenas Amapá e Rondônia não terão paulistas matriculados pelo Sisu.
Em três estados brasileiros, o número de candidatos que usaram o Sisu para sair de casa é maior que a quantidade de universitários que permaneceram no estado de origem. O fenômeno se dá em razão da baixa oferta de vagas. O caso mais extremo é o de estudantes rondonenses: 94% deles vão se mudar para estudar. No Distrito Federal, esse percentual é de 83% (no ano passado, como nenhuma instituição do DF participou do Sisu, 100% deles tiveram que buscar vagas longe de casa). Já em Sergipe, onde apenas o Instituto Federal de Sergipe (IFS) ofereceu vagas, 63% dos aprovados no Sisu fizeram matrícula fora do estado.

Mobilidade por mérito
Para Mercadante, quanto mais instituições aderirem ao Sisu, mais elas economizarão em recursos, já que, segundo ele, a realização de um vestibular não sai por menos de R$ 5 milhões. Além disso, ele acredita que o aumento de vagas do Sisu ajuda a mudar o acesso ao ensino superior de um modelo que privilegia quem tem condições financeiras para um sistema baseado na meritocracia.

"Enquanto houver esse modelo de vestibular, há mobilidade só para quem tem dinheiro para pagar passagem de avião e fazer provas em outros lugares. No Sisu, não: a mobilidade é por mérito. Os que forem melhores têm mais mobilidade."

O professor Tufi Machado Soares, que dá aulas de estatística da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), também vê a mobilidade incentivada pelo Sisu como algo positivo tanto para a sociedade brasileira como para a equalização das redes de ensino do país. "O ideal é que essa mobilidade não se dê apenas para cursar a faculdade, mas em questão de passar a residir, morar e trabalhar nas outras regiões, isso é muito importante. Acredito que isso não só o Sisu vai ser responsável. É preciso que haja outras ações", afirma.

Para Remi Castioni, professor da Universidade de Brasília (UnB), atualmente são poucas as universidades que cultivam a característica de atrair alunos de fora do estado. "Em geral, elas atendem a população local ou a comunidade em um raio muito próximo. Há exceções como a federal de Santa Maria, que por ser localizada no centro do Rio Grande do Sul atrai muita gente, e a federal de Viçosa, que tem uma expertise em agronomia e é bastante procurada por gente de fora. Há outros casos, mas pontuais”, afirma.

O aumento da concorrência, segundo os professores, pode favorecer os estudantes que fizeram o ensino médio na rede particular ou em estados com indicadores educacionais mais elevados. “Isso revela uma realidade na educação a nível local. Se alunos de outros estados estão tomando essas vagas em alguns cursos, é porque o que se pratica ali tem diferença em relação aos outros”, diz Castioni.

Soares, da UFJF, explica que uma das consequências a médio e longo prazo da competição nacional pelas vagas nas melhores instituições é "estimular regiões menos desenvolvidas a melhorarem o nível de seus cursos".

Segundo ele, com a consolidação do Enem como porta de entrada no ensino superior, "aumenta a competição por todo o país, caminhando na direção de uma equalização". Ele afirma que, "com o Enem, você espera, principalmente, que isso afete o ensino médio". "No ensino particular isso já é uma realidade."

Mais vagas, menos opções
Desde o início, o objetivo do Ministério da Educação, então comandando por Fernando Haddad, era democratizar o acesso às vagas de instituições de ensino superior públicas no país. A reformulação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em 2009, possibilitou a criação de um sistema informatizado que centralizasse vagas de diferentes instituições e selecionasse os candidatos de acordo com a nota no Enem e os pesos, bônus e cotas que cada universidade decida aplicar às suas vagas.

Na primeira edição, o Sisu realizava três processos seletivos consecutivos, e os candidatos podiam se inscrever em todos eles para, caso não conseguissem entrar na primeira opção, poderem disputar as vagas remanescentes. Com o aumento no número de vagas e de candidatos, porém, a metodologia da seleção mudou, e acabou restringindo os candidatos a apenas duas opções de cursos.

Atualmente, o processo realiza duas chamadas e, depois, é possível entrar em uma lista de espera que realiza diversas chamadas, até que as vagas sejam descentralizadas e cada instituição passe a convocar candidatos. Porém o candidato continua concorrendo apenas para as duas opções selecionadas no início do processo, já que não há a possibilidade de re-escolha de curso.

O motivo principal dessa restrição é técnico: para que o sistema consiga fazer o cálculo das notas para selecionar os candidatos, é necessário programar um complexo algoritmo. Quanto mais opções, mais lento é o processo.

Segundo o ministro, um eventual aumento no número de opções não significará maior democratização no processo, já que a demanda pelas vagas é muito maior que a oferta. "É uma equação muito complicada. Vamos supor que ele [o candidato] entrasse na quinta opção. Isso quer dizer que alguém saiu para ele poder entrar. Essa conta precisa fechar. O problema é que temos uma demanda muito forte."

Mercadante afirma que a expansão da oferta na ordem de 150% nas vagas de graduação na última década não tem sido suficiente para atender à demanda pelo ensino superior no país, uma vez que foram mais de 2 milhões de inscritos para 129 mil vagas disponibilizadas no sistema. "O Sisu é um trem tentando entrar em um fusca", compara. Segundo ele, para tentar atender a demanda dos que não foram aprovados no Sisu, o governo oferece alternativas como as bolsas de estudo parciais ou integrais em faculdades particulares (Prouni), financiamento estudantil (Fies) ou vagas no ensino técnico (Pronatec).

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