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Negócio doce!

Natural da Letônia, Elza Rutenberga realizou o sonho de empreender após cruzar três oceanos para conhecer o Brasil.

30 JAN 2019 - 09h:50Por Redação

Ela encontrou um nicho de mercado, investiu e reinvestiu tudo o que ganhou durante um ano para dar andamento à realização de um sonho que juntava o desejo de saborear, de novo, alimentos que conheceu na infância lá do outro lado do mundo, e tornar-se empresária de gastronomia – uma linha hereditária que possui raízes na Letônia, país distante 11,1 mil quilômetros de Três Lagoas. A escolha do Brasil para a realização de um projeto que soma 12 anos sobre a mesa de trabalho também aconteceu por dupla razão. Uma delas, a passagem pela Nova Zelândia. A outra razão? Leia o texto até o final para descobrir.

Elza Rutenberga é natural da Letônia. Nasceu há 27 anos no país do Leste Europeu e que tem uma das menores taxas de analfabetismo do mundo (0,2%), além de renda per capita (US$ 11,9 mil) e índice de expectativa de vida (72,3 anos) consideradas elevadíssimas. Sua população é de pouco mais de 2,5 milhões de pessoas, num território de apenas 65 mil quilômetros quadrados.

Filha de “profissionais da área gastronômica”, acompanhou a família nos negócios até se mudar para a Nova Zelândia. Distante? Sim! Mais de 17 mil quilômetros longe de casa, mas perto de começar a realização do sonho de ser empresária e de, finalmente, cruzar três oceanos para conhecer o Brasil – detalhe que merece capítulo à parte.

“Eu acordava de madrugada e ficava em frente à televisão para assistir jogos da Seleção Brasileira e de times do Brasil, antes de ir para a escola”, revela com um sorriso que não esconde a satisfação de, hoje, estar bem mais perto do esporte eleito por brasileiros como uma de suas paixões. “Eu adoro futebol”, acrescenta a “estrangeira” que em Três Lagoas é conhecida por Elzinha – da Elzinha e o Garfo, nome da empresa que dobrou de tamanho e que aumentou em 500% o número de colaboradores no período de apenas um ano.


Elzinha e o Garfo era um negócio muito pequeno, quando começou, e ocupava apenas alguns metros quadrados. O suficiente para expor uma geladeira, onde os primeiros fregueses podiam se deliciar com meia dúzia de opções de doces. “Quando fizemos um ano – diz ela, com forte sotaque “estrangeiro” e um português razoável -, dobramos de tamanho no prédio e já podemos servir café e pães artesanais”, comemora.

E era nesse lugarzinho pequeno que ela – adepta com força da comunicação digital – alimentava os fregueses com suas receitas e novidades trazidas de países por onde passou junto com o sonho de crescer. A ideia inicial era exatamente a de oferecer ao consumidor três-lagoense aquilo que Elzinha já conhecia fora do país, mas que não podia comer por aqui. Primeiro, em uma hamburgueria, que se transformou em “loja” de doces e, agora, numa cafeteria.

E tudo foi enriquecido com a participação em um curso de gastronomia, realizado em São José do Rio Preto, no segundo ano em que já estava no Brasil, 2016. “Eu tinha vontade de comer alguns doces e não encontrava. O que havia no mercado em geral não era o que procurava. Então, decidi fazer”, resume.

No curso, aproveitou para descobrir que o Brasil é “um país rico” em gastronomia, com “excelentes chefs” mas, ainda, com espaços para criação. “O que fiz foi juntar técnicas de misturas e receitas que conheci na minha infância e juventude com os produtos disponíveis no Brasil. Os produtos que não me satisfizeram tive que importar”.

Um deles é o chocolate, que vem da Bélgica. “É muito importante manter a qualidade dos produtos de uma receita para que o sabor seja exatamente o que se procura”, orienta, em citação aos seus irresistíveis entremet (fala-se entremê) e eclair (eclérrrr). O primeiro, como ela resume, é conhecido como “bolo de vidro” por conta de seu aspecto brilhante, e o segundo, por ter massa “bem tratada”, com recheios variados, além dos tradicionais brigadeiros. Sempre com o chocolate belga na receita.

Mas, não é só. “Estes doces são alguns só do nosso mix, hoje de quase 30. Todos com farinhas e demais produtos de excelente qualidade. E, ainda, com uma apresentação diferenciada das que se vê no comércio”, explica. A tartelette, por exemplo, é confeitada com farinha de amêndoas.

Tudo com boa apresentação

Quem acompanha Elzinha pelas mídias sociais já sabe que ela é caprichosa em tudo o que apresenta. Nenhum vídeo, foto ou texto vai pro ar sem sua revisão, toque e retoque. É assim, igualzinho, com os produtos que expõe em seu novo espaço da empresa. “Uma boa apresentação, com a ‘decoração’ de um prato, é muito importante para levar a pessoa a experimentar o doce. Depois que experimenta, sempre compra”, destaca, sorrindo.

Outro detalhe do negócio que teve seu número de colaboradores aumentado de dois para 10 em um ano (500%) é a persistência em procurar pelo público consumidor. “É preciso ‘educar’ as pessoas a gastarem um pouco mais de dinheiro para comprar um produto assim. É isso o que estamos fazendo com a nossa empresa em todos os seus produtos. Como café, agora, por exemplo”.

Além de procurar por doces que não encontrava nas padarias de cidades do interior brasileiro, Elzinha também tinha o desejo de consumir e vender “um bom café”. Para isso, saiu em pesquisa por fazendas produtoras em busca do “grão ideal”. E encontrou em uma fazenda cafeeira de Minas Gerais. É um fornecedor exclusivo da Elzinha e o Garfo.

“Nós servimos o café clássico e o expresso, e também o cappuccino. Mas, sempre com um grão que possui tratamento especial desde sua produção, na fazenda. E, novamente, com uma forma de apresentação que enche os olhos e o desejo de consumir”. Evidentemente que acompanhado de pão, um segmento iniciado exatamente quando a empresa dobrou de tamanho, neste ano. Uma de suas especialidades é o pão com massa de brioche recheado com molho pesto. A receita? Não! Não! É segredo da chef.


No próximo passo, uma rede

Após conseguir dar passos largos na realização do sonho de ser “gastrônoma” e empresária com largo caminho pela frente, Elzinha pensa em expansão. “Minha ideia é criar uma rede de lojas como a de Três Lagoas e avançar, principalmente, pelo Estado de São Paulo, onde há cidades de porte médio para cima”, revela. Não se trata de franquia, adianta.

No meio deste caminho, que terá suas primeiras ações até o final de 2019, estão novos cursos de aprimoramento e o lançamento de novidades em seu mix. “Vamos manter o plano de ampliar os negócios aqui em Três Lagoas e avançar para outras cidades como uma rede. Isso vai possibilitar, principalmente, garantir a qualidade dos produtos”, afirma. Sobre permanecer no Brasil, ergue as sobrancelhas e diz: tenho muitos planos, dentro e fora do Brasil, sem esconder que gosta demais da Nova Zelândia.

Entre um doce e outro, apaixonada por imagens e artes gráficas, Elzinha posta vídeos na internet – seu passatempo favorito, que ajuda a manter os planos como empreendedora. Em todas as postagens, demonstra a satisfação de estar fazendo o que gosta e no que acredita.

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