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Tri Carol

Carolina Camillo - primeira de um trio na linha sucessória de uma sólida empresa familiar de Três Lagoas - é triplamente definida.

15 JAN 2018 - 08h:14Por Valdecir Cremon

Não se engane. Aquela imagem de mulher frágil, com muita coisa ainda a aprender na vida, é apenas imagem. O aperto de mãos com força moderada, maior que o “padrão” de cumprimento de uma mulher; o sorriso largo e a fala sempre em tom também acima do que pode ser chamado de comum, revelam que a primeira filha de Ademir o se engane. Aquela imagem de mulher frágil, com muita coisa ainda a aprender na vida, é apenas imagem. O aperto de mãos com força moderada, maior que o “padrão” de cumprimento de uma mulher; o sorriso largo e a fala sempre em tom também acima do que pode ser chamado de comum, revelam que a primeira filha de Ademir Celis Gonçalves e Sueli Camillo Gonçalves tem tarefas definidas, tempo cronometrado e obrigações que não lhe permitirão, talvez nunca, alterar modos e maneiras. 
Encarregada de usar lupa e um sem-número de planilhas eletrônicas para acompanhar o andamento das vendas da empresa familiar que integra, Carolina Camillo Gonçalves, ou apenas Carol Camillo, aplica conhecimentos de sua formação profissional como administradora para tocar aceleradamente um projeto que será implantado já em 2018 no Grupo Triaço, que possui 3 empresas de diferentes segmentos em Três Lagoas. É tanto número 3, não é? Pois ela é tri. É tri-Carol. Família. Visão. Coragem.

Durante a entrevista para esta edição da SE7E, não houve sequer um trecho em que Carol não citasse a admiração e respeito que tem pelos pais, tio e irmãos “que trabalham bastante para manter a empresa”.
Conhece a história da Triaço desde a fundação, em 1988, quando ainda era criança. No início da década de 1980, seu avô materno Orlando Camillo, que morava na cidade e era conhecido pelo extinto “Bazar Santa Fé”, de enxovais para noivas, aviamentos e tecidos, tinha também uma pequena serralheria, ambos no centro da cidade.

“Seo” Orlando colocou a serralheria à venda. Ademir, que morava com família no Paraná e tocava outros negócios no ramo de lanchonete e restaurante na obra da Usina de Itaipu, percebeu uma nova oportunidade de empreendimento, comprou a firma do sogro e a instalou no local onde hoje fica a loja de materiais hidráulicos, elétricos, ferragens e ferramentas, na avenida Capitão Olinto Mancini, iniciando a fabricação de produtos, vendas de materiais e a prestação de serviços, conquistando espaços no mercado três-lagoense. Foi lá que tudo começou, quando Carol – paranaense da Foz do Iguaçu (PR), hoje às vésperas de completar 37 anos – veio para Três Lagoas, aos 3. 

“Meu pai, que aqui na empresa chamamos de Ademir por uma questão profissional, já gostava da cidade por vários motivos, mais ainda por sua posição geográfica, sempre teve interesse em investir, podendo assim, dar estabilidade à família e lançar um negócio sólido. Isso foi lá atrás, em 1983, quando montou a antiga serralheria”, disse.

•Visão

Ainda na tríplice constituição pessoal de Carol, surge uma herança do pai: visão de futuro. 
“Eu sonho, até como uma visionária, como será a Triaço daqui a alguns anos. É algo que ainda não consigo descrever completamente, mas tenho certeza de que será uma empresa maior do que é hoje, também pela evolução natural dos negócios e pelo crescimento de Três Lagoas, que tem se destacado em nível de Brasil.” Da serralheria simples, surgiu a Triaço exatamente porque Ademir Celis Gonçalves “sentindo a carência de uma empresa em Três Lagoas que suprisse a necessidade de encontrar produtos industrializados em artefatos de ferro e aço, como fabricação e montagem de estruturas metálicas, caixas d’água, tanques, bebedouros para fazendas (...)”, como diz o trecho inicial de um histórico da empresa.

Essa visão de futuro, não apenas como uma herança, também faz parte do talento natural de Carol. Foi por isso que cursou administração de empresas na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e botou o pé na estrada para se especializar em áreas paralelas, como MBA em Gestão de Negócios, que cursou em São Paulo (SP), fez especialização em Língua Inglesa na PGIC, em Vancouver (Canadá), curso de Inglês para Negócios, na NYLC - New York Language Center (EUA) e, por último, curso de Marketing & Strategic Planning, na NYU (New York University), também nos EUA.

Entre a formação e as especializações, Carol “experimentou” o mercado financeiro brasileiro. Iniciou no Banco Safra, passando também pelos bancos Fibra e Pine, conhecidas e poderosas instituições de negócios e investimentos, desempenhando funções que lhe renderam destaque em reportagens da imprensa paulistana especializada. Foi “persona” em matérias de perspectivas, oscilações, incertezas e certezas da vida financeira do país, especialmente nos idos de 2005 e 2008, na entrada do Brasil na histórica “bolha” econômica dos Estados Unidos.

“Foi nessa época que pedi demissão, vendi meu carro e, com algumas economias, embarquei para o Canadá, em um período em que a maioria das pessoas via como um momento de recessão e prejuízos, mas que eu enxergava oportunidades de me especializar e realizar um antigo sonho de morar no exterior”. E aí entra o terceiro item da tri-Carol. 

Em todos os atos, coragem

Por se considerar “meio fora dos padrões”, tri-Carol – a irmã mais velha de Pryscilla e Ademir Henrique – deixou um emprego seguro na capital paulista e partiu, sozinha e sem ao menos conhecer alguém que tivesse morado no Canadá, a fim de estudar. Foi atrás de mais uma formação e voltou de Vancouver, em 2009, com o desejo de transformar aprendizado em prática. Mas, ainda faltava um outro ato de coragem. 
“Foi assim em tudo o que fiz na vida. Desde minha entrada na Triaço, em 1997 - meu primeiro emprego, quando tinha 16 anos -, e em tudo o que faço hoje. Sempre ajo com coragem que não me falta mesmo que me custe algum sacrifício ou perda momentânea. Tenho aprendido que obstáculos são, na verdade, lições para crescimento e amadurecimento.”


E aprender faz parte. Hoje, em meio a uma papelada encartelada em pastas classificadoras, ela passa horas lendo relatórios, respondendo questionários e afinando conteúdos para “definir processos”. Ficou difícil de entender? Pois é. Carol trabalha na padronização de tudo o que se faz na Triaço para conquista da certificação ISO-9001, em fevereiro do ano que vem – necessária para que a empresa se confirme como fornecedora de grandes indústrias instaladas em Três Lagoas. “São critérios muito exigentes, que começamos a ter contato há bem pouco tempo e que, para nós, há muita coisa nova. Para isso estou aplicando muito o aprendizado que tive nesta minha última especialização em planejamento estratégico em marketing.” A Triaço integra o PQF-MS (Programa de Qualificação de Fornecedores), de Mato Grosso do Sul, gerenciado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL), ligado à Federação das Indústrias do Estado e ao Sistema S, desde que contratou uma consultoria, no início deste ano – na mesma época em que Carol decidiu retornar à cidade.

 

 

 

Planos, planos, planos e planos

Certificar a Triaço como ISO-9001 e junto aos irmãos dar continuidade à linha sucessória da empresa não são itens únicos na “vida futura” de tri-Carol. “Eu ainda quero integrar um programa social em que me sinta totalmente útil, fazer mais viagens pelo mundo afora, e ter a oportunidade de conhecer um programa internacional de voluntariado na África”, revela.
Num rápido desembarque, registre-se que ela conhece países dos continentes Europeu e Americano, e em seus planos está, em breve, visitar terras africanas, o terceiro continente a desbravar.
De volta a Três Lagoas, ela não fala mais em deixar a cidade. “Gosto e tenho grande carinho pela cidade e pelas pessoas amigas que sempre me acolheram. Foi aqui que aprendi grandes lições da minha vida, passei toda minha infância e adolescência e é onde quero construir o que ainda me falta, ao lado da minha família”.


Entre tantos planos, existe uma pessoa que apaixonada pelo mundo dos vinhos, adora receber os familiares e amigos, não vive sem música e um hobby segue anexado: fotografar. E, colado a ele, uma fixação por tecnologia. “Nesse ano, meu melhor investimento foi em um celular moderno, capaz de fazer fotos em alta resolução porque amo fotografar. Em tudo procuro uma oportunidade de gravar a imagem. Tenho pelo menos umas 10 mil fotos no celular, hoje.”
Fotos com amigos, a família, principalmente do afilhado Arthur e do sobrinho Ademirzinho, e dos lugares que conheceu pelo mundo, tri-Carol tem belas imagens da natureza, plantas, mato, rio, lagoa, bichos e, principalmente, do pôr do sol. “Ah, é lindo e único esse céu de Três Lagoas!”, exclama ao ver uma imagem de um céu avermelhado que parece querer queimar a terra, que diz ter captado “da varanda de casa” em direção ao horizonte. É nestes momentos que aproveita para meditar, agradecer e refletir sobre a vida. “Gratidão me define”, fecha.

 

 

Fotos 
NAUR CAVALCANTE   

Produção 
Leandro ELIAS 

Beleza
Tatiana Ribeiro

Looks
loja express

Locação
Terrace Bussines Center

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