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HOSPITAL REGIONAL

Banco de leite alimenta 35 bebês internados e busca doações

Para ser doadora, a mãe só precisa ligar no banco de leite pelo telefone (67) 3378-2715 e fazer o cadastro

15 NOV 2017 - 12h:30Por Redação

O banco de leite Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) faz cinco rotas pela cidade de Campo Grande em busca de leite materno. O setor é responsável por alimentar cerca de 35 bebês todos os dias. As informações são da nutricionista, Fernanda Menezes, responsável técnica pelo banco de leite. Inaugurado em 2012, o banco atua desde 2004 como posto de coleta. Para manter o rítmo das dietas dos recém-nascidos uma equipe percorre, todos os dias, as diferentes rotas em busca de leite humano disponibilizado pelas mães doadoras que compõem o cadastro.
“Temos uma funcionária do banco de leite que vai junto com um motorista do setor de Transporte até as casas todos os dias coletar. Dividimos a cidade em cinco rotas diferentes. Para ser doadora a mãe precisa somente ligar aqui no nosso banco no telefone 67 3378-2715. Podem ser doadoras todas as mães que estiverem amamentando o bebê e que tenham excesso de produção. Nós só precisamos que ela tenha feito o pré-natal, por conta dos exames, para fazer a triagem. Com a ficha pronta, inserimos elas nas rotas. Da primeira vez, a equipe vai na residência e leva o material, ensina a tirar o leite e a armazenar. Em seguida, a própria mãe vai tirando durante a semana, quando for amamentar. Assim, a doadora tira leite toda vez que vai amamentar, ao longo do dia. Para não ficar muito cheio, porque é difícil vir até o banco de leite, nós buscamos o leite uma vez por semana e deixamos o material para a próxima semana”, explica Fernanda.

Atualmente, dependem do banco de elite em torno de 35 crianças por dia. São os bebês da UTI Neonatal, da Unidade Intermediária Neonatal (UIN), do Canguru e bebês internados no CTI Pediátrico. Por mês estamos coletando em torno de 45 a 50 litros, mas precisaríamos de, no mínimo, 120 litros como quantidade ideal.  Com isso priorizamos os bebês menores e casos mais graves. Se a mãe está internada e consegue tirar o leite, o bebê recebe somente o leite da mãe. No caso de ser muito pequenininho e grave, recebe o leite da doação e se estiver maior, um bebe de termo – que  nasceu no tempo certo – e tiver menos complicação, vai receber a fórmula infantil, que não é a melhor opção, mas precisamos alimentá-lo. O ideal seria que todos recebessem leite da própria mãe”, pontua.

A equipe é composta por oito pessoas. “Temos uma rotina nas casas em busca de doações, uma funcionária que atende na sala de ordenha e as funcionárias que atendem as mães da maternidade, principalmente, para fazer cadastro daquelas mães que os bebês nascem e vão para a UTI Neonatal. Precisa atender essas no primeiro momento, para que ela possa começar a tirar o leite. Tem ainda as funcionárias da parte de processamento; todo leite da coleta precisa ser pasteurizado para depois ser oferecido ao bebê que está internado, por uma questão de segurança.  E tem uma funcionária que é da parte da lavagem da vidraria do banco de leite”.

Fernanda conta que, geralmente, as mães internadas que tem muita produção permanecem doadoras de leite humano. “Como a maternidade aqui não é tão grande, não conseguimos captar doadoras suficientes. Fazemos divulgação periódica na imprensa e sempre estamos abertos a novas mães. E não tem mistério: a mãe tira e vai congelando o leite. Quando chega aqui, damos entrada no sistema da rede de banco de leite que é o Datasus – da rede brasileira de banco de leite. Entramos com número da doadora, volume da entrada, tudo certinho. Depois separamos os lotes para pasteurizar. Esse leite segue para a sala de processamento, é descongelado, passa por um exame que checa a  acidez (acidez de Dornic), porque com o tempo o leite vai se tornando mais ácido e com menos nutrientes.  Verificamos as embalagens, o valor calórico, colocamos na embalagem padrão e, então, eles são pasteurizados  em frascos iguais para ter certeza  que o calor chega igual para todos os potinhos”.

Na etapa de pasteurização, o leite permanece sendo homogeneizado pelas técnicas até atingir de 62,5°. “Nessa temperatura começa a contar o tempo de pasteurização. A partir daí fica meia hora. Após inativar  os microrganismos levamos para resfriar, porque se ele se mantiver quente por muito tempo, perde os nutrientes. Esfriou em 5°, coletamos uma amostra para o exame  microbiológico, que é uma espécie de prova dos nove, para garantir que matou todos os microrganismos. Esse exame demora dois dias. Só então o leite está apto para ser servido aos bebês”.

Quantidades

A nutricionista acompanha cada um dos bebês na Neonatologia e é a responsável pelos volumes que eles ingerem.  “Servimos em seringa ou em copinho. Um bebezinho recém-nascido se for de 25 semanas, às vezes, toma 5 ml de três em três horas. Começa os primeiros dias com dieta menor para fazer o intestino funcionar. Um bebê com menos de um quilo, com 15 ml diário já atinge a dieta plena dele, que é quando alcança todas as calorias que precisa. A quantidade depende muito do peso”.

Ela lembra que o banco de leite funciona como um centro de proteção e promoção do aleitamento. As mães podem procurar auxílio para amamentar. “Às  vezes a mãe recebeu alta mas não esta amamentando, tem dificuldade. Ela pode procurar o banco de leite. Todos fazem esse serviço. Vamos ver a pega do bebê, ensinar como tirar o leite.  Depois que a mãe e o bebê conseguem se entender a amamentação deslancha, mas as dificuldades nos primeiros dias, infelizmente, fazem muitas mães desmamarem seus bebês”.

(Com informações de Notícias MS)

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