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ENTREVISTA

‘Me arrependo de não ter agido com maior rigor’ diz juiz ameaçado de morte

Aos 68 anos de idade e 35 de carreira, um dos mais temidos e admirados magistrados do país entrou com pedido de aposentadoria. Na entrevista da semana, o JPNEWS conversa com o Juiz Odilon de Oliveira

30 ABR 2017 - 06h:30Por Ana Cristina Santos

Ele coleciona condenações dos mais influentes traficantes de drogas e contrabandistas do país com atuação na fronteira do Brasil com o Paraguai e Bolívia. Na lista das mais de 200 condenados por ele estão: Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, o megatraficante colombiano Juan Carlos Abadia e Jorge Rafaat Toumani, morto em junho de 2016, entre outros.

Além de ter enfrentado o crime organizado e o poder da criminalidade, o Juiz Odilon de Oliveira confiscou bilhões de reais das facções criminosas. Aos 68 anos de idade e 35 de carreira, um dos mais temidos e admirados magistrados do país entrou com pedido de aposentadoria em março deste ano.

Nesta semana, ele esteve em Três Lagoas para fazer uma, das várias palestras que realiza nos municípios, abordando o combate a substâncias ilícitas, como drogas e álcool, função dos pais na vida escolar do filho e demais pontos que fortaleçam a relação entre família e escola. Na ocasião, o magistrado visitou o Grupo RCN de Comunicação e falou um pouco da rotina e do futuro.

JPNEWS- O senhor chegou escoltado por policiais federais no Grupo RCN de Comunicação, essa é sua rotina diária?
Odilon de Oliveira – Essa rotina de escolta já faz 18 anos, como juiz já tenho mais de 35 anos de trabalho.

JPNEWS- Na avaliação do senhor, o crime organizado hoje, está mais organizado do que ontem?
Odilon- Quando comecei como juiz criminal, há 35 anos, não existia o crime organizado. Depois foi se organizando e o Estado se desorganizando. O Estado nunca se preocupou em organizar para enfrentar esse monstro, chamado crime organizado, que vem colocando o Estado para correr. O Brasil necessita de adotar uma postura bem mais rígida e objetiva, de efeitos mais concretos em relação a essa criminalidade que vem dominando o próprio Estado e afrontando às famílias.

JPNEWS- O senhor acredita que na política o crime organizado também se infiltrou, e que a Operação Lava Jato é uma esperança?
Odilon- A Laja Jato é um marco de renovação da confiança da população. A partir de agora, se a Justiça não fraquejar, e acreditamos que não, pois já vimos figurões que, antes eram intocáveis, hoje na cadeia, e muitos outros vão. Então, a Lava Jato é uma verdade que chegou no Brasil para dar certo. A população pode confiar.

JPNEWS- Após o senhor se aposentar, teria alguma intenção em contribuir com a política do nosso País?
Odilon- Ao me aposentar, no final deste ano, vou ter que fazer alguma coisa. Tenho duas opções: Ou montar uma entidade, cujos estatutos estão prontos, para recuperação de viciados em drogas, que é grave no Brasil. A outra opção, se a sociedade quiser, é que eu vá para a política, mas para fazer o bem. Para defender os interesses da Pátria e da comunidade.

JPNEWS-O senhor pode sair candidato ao governo do Mato Grosso do Sul nas próximas eleições?
Odilon- Como juiz não posso fazer manifestação político partidária. Não sou filiado em nenhum partido, nesse momento.  O que posso dizer é que tenho recebido convites de todos os partidos. Tenho respondido que será possível concretizar o projeto dos partidos, tão logo me aposente.

JPNEWS-- Como o senhor analisa o seu nome bem colocado nas pesquisas?
Odilon- É uma satisfação enorme. Isso renova a minha fé e a necessidade de se prosseguir  servindo a sociedade de outra maneira.

JPNEWS- O senhor pretende continuar morando em Mato Grosso do Sul depois de se aposentar ?
Odilon- A resposta vai ser mais abrangente, eu pretendo continuar no Brasil, se for ter segurança depois de aposentado. Se isso não acontecer, não me habilitarei a ficar no Brasil, pois não terei segurança e tranquilidade .

JPNEWS-O senhor já entrou com esse pedido para ter direito a segurança depois de se aposentar?
Odilon- Entrei com esse pedido em janeiro de 2014, e está no Conselho Nacional de Justiça para ser examinado , mas até hoje isso não aconteceu.  A gente teme segurança, e depois de aposentado, represália, isto é, vingança pelo trabalho que a gente tem procurado fazer desfocando patrimonialmente a criminalidade organizada, confiscando bem e valores.

JPNEWS- O senhor se arrepende de ter feito o trabalho que fez, e agora tem que andar escoltado?
Odilon- Me arrependo de não ter agido com maior rigor, com maior objetivo, confiscando mais bens e desarticulando efetivamente esses criminosos que andam atormentando a sociedade, principalmente os criminosos de elite, que são genocidas, que matam por atacado. A corrupção leva à fome, a miséria, ao crime, a tudo que não presta.

JPNEWS- Como o senhor vê a figura e o papel do juiz Sérgio Moro ?
Odilon- O Sérgio Moro é um exemplo de juiz. A magistratura e toda a sociedade brasileira deve se orgulhar da existência de uma pessoa com aquele perfil de justiça. A população pode ficar tranquila que todos os processos da Lava Jato, que caírem na mão do Sérgio Moro, todos receberão rapidamente o resultado que os ‘bandidos do colarinho branco’ merecem.

JPNEWS- O senhor tem abordado nas palestras o tema “Família”. O senhor acha que a família pode contribuir para reduzir a criminalidade?
Odilon- A família é o esteio de qualquer pessoa. A família é que, em um primeiro momento, vai modelar a alma, o coração das crianças. É ela que vai educar os filhos. A família brasileira tem que ser fortalecida.  Aqui a gente vê que Estado Brasileiro é o grande destruidor da família. A Constituição federal garante todos os benefícios para a família, como proteção especial para mãe, para infância, para juventude... Todavia, segundo a Organização Mundial da Saúde, na prática, o Brasil é o quarto pior País do Mundo a tratar da política materno infantil. E se não tem essa política eficiente é evidente que terá uma sociedade desorganizada, porque a família é a base da sociedade . 

 

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