Rádios On-line
8357
Loteamento OT
ECONOMIA

Nova rota bioceânica aumentará em 10% exportações pela fronteira com o Paraguai

Rota reduzirá em 8 mil km o passeio que a carga faz pelo Atlântico, a partir dos portos do Sul e de Santos

5 SET 2017 - 09h:54Por Redação

A rota da integração para o Pacífico, que se desenha a partir de Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, deixou de ser um projeto específico do Estado para tornar uma alternativa para o Brasil Central, onde Goiás e Mato Grosso também pretendem usar o novo caminho rodoviário para chegar com seus produtos na costa chilena. O que aumenta a responsabilidade do governo brasileiro na construção da ponte binacional no rio Paraguai.

Mas não é um caminho para os grãos, que demandam maior volume de cargas nos abarrotados portos de Paranaguá e Santos, em razão dos limites de tonelagem nas Cordilheiras dos Andes, onde os caminhões bitrens não sobem a estrada íngreme e sinuosa com destino aos portos de Iquiqui e Antofagasta. Os bitrens extrapolam, além do mais, o limite de peso permitido nas estradas da Argentina e Chile – 25 toneladas contra 45 toneladas no Brasil.

Este fator limitante, no entanto, não tira o entusiasmo do empresário sul-mato-grossense em exportar com menor tempo e menos custo cruzando uma rodovia de quase 2,5 mil quilômetros, de Campo Grande ao Pacífico, atravessando Paraguai, Argentina e Chile. A rota reduzirá em oito mil quilômetros o passeio que a carga faz pelo Atlântico, a partir dos portos do Sul e de Santos. Será um novo mercado aberto a produtos industrializados e manufaturados.

Incremento nas exportações

Depois de sucessivas tentativas de ligar os dois oceanos pela Bolívia, onde a estrada estreita nas cordilheiras não permite a passagem de caminhões de três eixos e capacidade para 27 toneladas, os governos federal e estadual e os empresários estão convictos da saída por Porto Murtinho como a melhor alternativa para consolidar um comércio com os três países e ganhar competitividade nos mercados asiáticos com a redução dos custos de transporte.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de MS (Setlog), Cláudio Coval, estima que com a rota da integração projetada a partir de Porto Murtinho, haverá um incremento de cargas no trecho em torno de 10% ao ano. Hoje, a movimentação de mercadorias na região se limita a abastecer cidades fronteiriças paraguaias e bolivianas vizinhas a Ponta Porã e Corumbá. Não é um mercado hoje atrativo por falta de logística.

“A participação das nossas fronteiras nas exportações é ínfima, não chega a 2%”, diz Coval. Segundo ele, o segmento de transportes de cargas por rodovias é responsável pela movimentação de 25 milhões de toneladas anualmente, com destinos aos portos do Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina. “Vamos ter que nos adaptar a nova rota com caminhões de três eixos, pleiteando cargas de até 30 toneladas a Argentina e ao Chile.”

Conexões com ferrovia e hidrovia

O dirigente do Setlog não enxerga dificuldades para definir uma nova balança nestes países, que estão interessados em ampliar a legislação para também operar com os caminhões de três eixos, e vislumbra um mercado promissor inclusive para retorno com cargas para a frota do Estado. Paraguai, Argentina e Chile tem muitos produtos a oferecer ao Estado e ao Centro-Oeste, como derivados lácteos, vinhos, sal, feijão.

“O Paraguai cresce a uma média de 11% ao ano e se tornará um mercado atraente”, diz o empresário, citando ainda o barateamento nas importações de pescado do mar que chega do Chile para os restaurantes de Campo Grande. Atualmente, esse produto dá a volta de navio pelo sul da América do Sul até Itajaí (SC), de onde segue para a Capital sul-mato-grossense por rodovias. “Dos portos chilenos, o pescado poderá vir direto, em menos de dois dias”, apontou.

Durante a viagem de quase seis mil quilômetros realizada pela caravana de 29 caminhonetes até a costa do Pacífico, o coordenador-geral de Assuntos Econômicos do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, João Carlos Parkinson de Castro, fez uma explanação técnica aos empresários de Antofagasta (Chile) quanto às vantagens que representaria a nova rota em termos de redução de tempo e custo em relação ao transporte marítimo.

Encontro com o governador

Parkinson disse que a rota permite conexões com outros moldais, como ferrovia e hidrovia, o que a torna altamente atrativa. Seu estudo prevê a instalação de um entreposto ou porto seco na cidade argentina de Salta, que fica distante 1120 quilômetros de Porto Murtinho e a 647 quilômetros de Antofagasta. Um caminhão com 30 toneladas, saindo de Murtinho, levaria 30 horas para chegar ao porto chileno, a uma velocidade de 60 km/h, na sua projeção.

A viabilidade comprovada do novo caminho em direção ao Pacífico, em que pese os embaraços aduaneiros que o Brasil pretende alinhar com os países parceiros, criou uma expectativa não apenas no segmento de transporte de cargas. O presidente da Associação Comercial de Campo Grande, João Polidoro, está convicto: “para nós a rota já começou e em novembro faremos uma rodada de negócios com empresários de Salta. Estamos com o pé na fronteira”.

O entusiasmo do empresariado, em especial daqueles que fizeram a viagem Campo Grande-Iquiqui (2.400 quilômetros), foi compartilhada pelo Governo do Estado, que articula, com o apoio da bancada federal, a construção da ponte sobre o Rio Paraguai, em Murtinho. Nesta terça-feira, às 18h, o governador Reinaldo Azambuja recebe os integrantes da caravana, quando será apresentado um balanço da viagem pelo secretário de Infraestrutura, Marcelo Miglioli. 

(Notícias MS)

Deixe seu Comentário

TVC Canal 13

Ver Todos os Programas da TVC
Dá Negócio
6651