Rádios On-line
11320
ENTREVISTA

Palha: inseto vilão da leishmaniose

No ano passado, sete pessoas morreram vítimas da doença em Mato Grosso do Sul

3 FEV 2019 - 10h:20Por Loraine França

Dados da Secretaria estadual de Saúde revelam que seis casos de leishmaniose foram confirmados em Campo Grande (2), Aquidauana (2), Bataguassu (1) e Paranaíba (1).

Em 2018, foram 82 e sete pessoas morreram com a doença. Para a gerente técnica de zoonoses da secretaria, Stephanie Lins, o número das mortes preocupa, porque poderiam ser evitadas. “Se a pessoa procura um atendimento rápido, ela tem grandes chances de cura clínica”.

A leishmaniose atinge, principalmente, crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade, com sintomas de febre noturna e fadiga; aumento do baço e do fígado,  além de  possíveis úlceras na pele e mucosas.

Jornal do Povo - O que é a leishmaniose?
Stephanie Lins - É uma doença crônica transmitida pelo flebotomíneo, também conhecido por mosquito palha, que tem de dois a três milímetros de comprimento, e hábitos noturnos, entre as seis da tarde e as seis da manhã. E ele se reproduz em matéria orgânica em decomposição. Por exemplo, restos de folhas, de frutas, fezes de animais e aves, como galinheiros, por exemplo. É doença transmitida apenas por meio desse vetor. Ele tem que picar um animal ou uma pessoa infectada para poder passar o protozoário a uma outra pessoa ou a outro animal.

JP - Oferece riscos?
Stephanie - Muitos riscos. A leishmaniose visceral, principalmente, porque há dois tipos: a visceral, que acomete, principalmente, o baço, o fígado, e a tegumentar, que afeta pele e mucosas, como lábios e nariz. A visceral é a forma mais grave, porque se a pessoa não receber diagnóstico e tratamento oportunos, pode ir a óbito em 90% dos casos. É uma doença bastante séria.

JP - Qual a avaliação dos casos e mortes de 2018?
Stephanie - São preocupantes porque o ideal é que não ocorresse nenhum óbito. É uma doença que acomete muito crianças, idosos e pessoas que são imunossuprimidas, principalmente, no nosso Estado ocorre bastante a coinfecção em pessoas que tem HIV/Aids, com leishmaniose visceral. É um número preocupante, considerando que, entre os casos, sete pessoas morreram. Mas, se a pessoa procura um atendimento rápido, ela tem grandes chances de cura clínica. Uma coisa ruim é que uma vez que a pessoa que adquire a doença, pode ter a cura clínica, mas o parasita não vai sair da corrente sanguínea. A pessoa fica bem, com bons períodos de saúde, mas, sempre com o protozoário. 

JP - Quais os sintomas?
Stephanie - Em crianças, principalmente, e serve de alerta para os pais, é febre noturna há mais de uma semana. Aquela criança que está com febre, às vezes, não necessariamente só noturna, mas a gente percebe um padrão da doença. Mas, uma febre que essa criança tem há mais de sete dias é motivo de preocupação e precisa levar no posto de saúde, levar ao médico para ver se pode estar com leishmaniose. Os outros sintomas são fadiga crônica, aumento do baço, do fígado, do volume abdominal. Se for no caso da [leishmaniose] tegumentar, aparecem pequenas úlceras na mucosa ou na pele mesmo, que podem abrir e podem espalhar pelo corpo. Às vezes, ficam só em um lugar. Então, quando atinge mucosa, ela deteriora tanto, que pode até abrir o céu da boca da pessoa, pode fazer uma junção entre a boca e o nariz. Então, assim, tem vários sintomas. O principal que eu chamaria a atenção é essa febre de longa duração.

JP - Quais as orientações para evitar a doença?
Stephanie - Principalmente, é você tentar evitar que essa doença acometa seu animal, porque, muitas vezes, como você tem o animal em casa, você começa a ter esse flebotomíneo dentro de casa. Então, para o animal eu recomendaria colocar a coleira, porque tem coleiras hoje em dia que são impregnadas com inseticida, que passam esse inseticida para o animal. Tem uns remedinhos que é tipo um óleo que passa no dorso do animal. As coleiras têm longa duração, de quatro, seis ou até oito meses. Também há a vacina para o animal, com 70% de garantia. E para o humano? Evitar exposição entre as seis da tarde e seis da manhã; telar a residência, com tela bem fininha porque o mosquito é muito pequenininho; passar repelente nos horários em que for se expor no ambiente externo, e manter o quintal limpo, não jogar dejetos, entulhos nos terrenos, além de manter terreno limpo.

Deixe seu Comentário

TVC Canal 13