Editorial

O brasileiro e as filas

Leia o Editorial publicado na edição deste sábado (7) no Jornal do Povo

07/04/2018 07:05


Uma informação do Procon de Três Lagoas, dada à reportagem do Grupo RCN de Comunicação no mês passado, revela um pouco de quanto o brasileiro é paciente, e até de quanto gosta de filas. Os bancos da cidade não respeitam, até hoje, uma lei municipal que limita a 20 minutos o tempo máximo de atendimento por caixas. Há relatos de que esse tempo quase dobra em épocas de pagamento de salários pelas empresas.
Essa submissão é, possivelmente, uma das principais causas da acomodação das instituições financeiras em não resolverem o problema. Aliás, é vista como possibilidade de aproveitamento por meio da redução de trabalhadores dentro das agências. 

Não faltam relatos de quanto clientes e não clientes de bancos penam para serem atendidos. O Procon afirma que aplica multas e cobra soluções. Mas, nem mesmo autuações aplicadas há um ano foram pagas pelos bancos. A falta de comprometimento com clientes é igual senão maior com as instituições públicas.
E não seria por prejuízos que bancos seriam obrigados a reduzir quadros de empregados nem por queda de lucros. Somado, o lucro das quatro maiores instituições financeiras do país, públicas e privadas, é maior que o PIB de países da América Central e do Continente Africano. São cifras elevadas a bilhões a cada trimestre, obtidas por meio da cobrança de tarifas e de serviços prestados aos clientes. Nada ilegal, sem dúvida, mas sem grande retorno a quem paga. 

Ainda sobre gostar ou não de filas, o brasileiro suporta aguardar por horas atendimento em órgãos públicos, como os da Previdência Social, da Receita, hospitais, clínicas e até para tomar vacina. A espera por um exame clínico pode levar anos e a única manifestação que se vê são críticas em redes sociais porque são poucos os que procuram o Ministério Público, a Câmara dos Deputados ou as assembleias estaduais - quem realmente tem encargo de resolver.

Só para registro, três mil mulheres esperam por exame na fila da mamografia em unidades de saúde de Três Lagoas.


Redação