Demanda

Pacientes percorrem 354 km para conseguir atendimento de saúde

Atualmente, essa é a rotina de 15 moradores de Três Lagoas que viajam três vezes por semana até Paranaíba para fazer hemodiálise

01/12/2018 07:01


Três vezes por semana viajando, em uma rotina dolorosa que dura cerca de seis horas dentro de um ônibus, em um percurso de 354 quilômetros - ida e volta - é a única forma oferecida a pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento de rins, por meio de hemodiálise.

Essa é a rotina, atualmente, de 15 moradores de Três Lagoas que viajam três vezes por semana até Paranaíba, distante 177 quilômetros. E para conseguir o tratamento, eles ainda precisam recorrer à Justiça porque a demanda para o tratamento é menor que a oferta. 

Atualmente, o Hospital Auxiliadora, instituição filantrópica de saúde, mantém um convênio com a prefeitura para atendimento a pacientes do SUS, com 87 em tratamento, incluindo os de convênios particulares. Por dia, é realizada terapia dialítica em 42 pacientes crônicos, divididos em três turnos.

Em média, por mês, o hospital realiza 1.140 sessões de hemodiálise. Em 2017 houve 12.877 sessões. Atualmente, o setor tem 14 máquinas de filtragem de sangue: 10 são dedicadas a pacientes do SUS e quatro de convênios. Para ampliar o  atendimento, o hospital constrói nova ala no Centro Avançado de Hemodiálise, que terá 30 máquinas, sendo 20 para atender o SUS e 10 a convênios. As obras são executadas com recursos de emendas parlamentares obtidas pelo hospital, além de eventos beneficentes.

AÇÃO
Em razão da quantidade de pacientes que procuram a Justiça atrás de tratamento, a Defensoria Pública de Três Lagoas ingressou com uma ação na Justiça Federal contra o município, o Estado e a União para ampliação do atendimento em Três Lagoas. 

A defensora pública Rita de Cássia Vendrami disse que, devido à falta de vagas, pacientes procuram o órgão para ingressar com ação civil pública individual na Justiça estadual, que tem concedido liminares para garantir atendimento.

SOLUÇÃO
Três Lagoas é referência em média complexidade em saúde. Além de atender pacientes da cidade, recebe pessoas de outros municípios.  Segundo Rita de Cássia, o valor que se gasta para atender as ações judiciais poderia ser aplicado na ampliação do serviço na cidade. Para a defensora, é “louvável” o município atender as ações judiciais. No entanto, o desgaste de saúde de pacientes é “notório” com os deslocamentos.  “Entendemos que a solução para essa questão seria haver mais leitos aqui no município”, destaca.


Ana Cristina Santos