Três Lagoas

Famílias completam um ano em área invadida na saída para Brasilândia

Invasores aguardam decisão da Justiça, mas esperam que possam continuar no local, já que alegam não ter como pagar aluguel

16/03/2019 07:10


Completou um ano, em março, que um grupo de famílias sem-teto invadiu uma área particular, na saída de Três Lagoas para Brasilândia, por não ter como pagar aluguel. De lá pra cá, os invasores aguardam decisão da Justiça sobre a ocupação do local, que não possui redes de água ou luz.

A área de 12 mil metros pertence a uma empresária de Araçatuba (SP), que ingressou na Justiça com ação de reintegração de posse logo após a invasão. Em agosto, decisão de primeira instância obrigou as famílias a sair, mas parte do grupo ficou. Em novembro, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul aceitou pedido da Defensoria Pública de Três Lagoas para suspender uma liminar que determinava a reintegração, garantindo a permanência das famílias no local.

O movimento começou com nomes de 300 famílias. Hoje, há aproximadamente 60 morando em barracos de madeira, papelão e lona plástica, em condições precárias. Há crianças e idosos na maioria das casas.
Entre pessoas que já moravam em Três Lagoas, famílias vindas de outras localidades do país também construíram barracos e moram no terreno. Ao menos três famílias vieram da Bahia. Duas delas já estavam na cidade desde 2018 em busca de trabalho. Mas,  desempregadas, e sem condições de pagar aluguel, passaram a morar nos barracos. “Estamos aguardando uma decisão e queremos ficar aqui”, disse uma invasora.

Desempregada, Jucilene Lima Góis veio da Bahia com três filhos, a nora e um neto em busca de “recomeçar a vida em Três Lagoas”. Ela chegou na cidade há três meses porque ficou sabendo por um ex-cunhado que havia oferta de emprego na cidade e resolveu “tentar a sorte”. Juscilene contou que a casa em que morava na Bahia pegou fogo. Em seguida, perdeu um filho e ainda ficou desempregada. Assim como os demais, disse estar confiante para permanecer na área e construir uma casa de alvenaria, assim que conseguir emprego. 

FILA DE ESPERA

Três Lagoas tem hoje cerca de dez mil famílias em uma fila de espera do Departamento Municipal de Habitação aguardando por uma oportunidade de conquistar uma casa por meio de programas sociais. O setor informa, contudo, que não possui projeto de novas moradias populares na cidade. Os últimos, na zona Oeste da cidade, foram inaugurados em 2016. 


Ana Cristina Santos