ARTIGO

Lixo domiciliar é recurso para energia

Leia o artigo do cientista Mário Eugênio Saturno

11/05/2019 07:53


O mês de abril foi marcado por uma notícia muito importante para o meio-ambiente. Curitiba (PR) deu um importante passo para reduzir o uso do aterro sanitário, com a autorização do Instituto Ambiental do Paraná e um acordo de cooperação com indústrias cimenteiras da região para o uso dos resíduos sólidos na produção do CDR (Combustível Derivado de Resíduos).

É uma ideia espetacular, pois evita enterrar o lixo, que custa um absurdo, fazendo um bem ao ambiente, tem inovação e ainda sustenta os trabalhadores da reciclagem, comprando a parcela do lixo que eles jogariam fora. Pode parecer pouco, mas são 400 toneladas por mês de rejeitos que saem dos 40 barracões que fazem parte do programa. 

O CDR é um substituto energético do coque de petróleo usado como combustível para a fabricação de cimento. Com a substituição, é possível reduzir as emissões de carbono, diminuir passivos ambientais em aterros sanitários, gerar economia financeira para o município, que deixa de pagar o custo de aterro, e ajudar na geração de renda para os catadores.

Essa não foi a primeira vez que se abordou o Combustível Derivado de Resíduos. Já em 2010, o BNDES financiou R$ 33,9 milhões dos investimentos da Estre Ambiental nessa área. Essa empresa nacional é de gestão de resíduos sólidos e tratamento de áreas degradadas. 

Os recursos foram destinados à instalação de uma unidade de processamento de resíduos, com capacidade de produção de 450 toneladas de combustível. Nesse caso, o CDR seria usado na alimentação de caldeiras e fornos industriais.  

O banco considerou ser um bom investimento já que o CDR é produzido durante todo o ano, podendo ser estocado, tem o potencial calorífico maior que o do bagaço de cana e custa menos que o coque. Em 2012, a planta de Paulínia (SP) estava pronta à espera do alvará de soltura, quero dizer, licenciamento ambiental, que deveria ter um procedimento muito mais rápido para iniciativas pró-ambiente. 

Ainda mais para um investimento de R$ 45 milhões e que, depois de pronto, processará diariamente mil toneladas de lixo: 580 toneladas são matéria orgânica que, depois de triturada, segue para o aterro, 20 toneladas são metais e 400 toneladas podem virar combustível.

Como temos mais de 25 milhões de pessoas vivendo no eixo São Paulo-Campinas e cada pessoa gera 1 kg de lixo domiciliar por dia, ainda temos espaço para outras 24 plantas como essa. O BNDES deveria financiar uma parcela desse investimento, incentivando juntamente com as prefeituras interessadas. Missão para parlamentares dos três níveis de representação, de todo o Brasil.

*É cientista.


Redação