EDITORIAL

Editorial: Vereadores em pânico

22/07/2017 09:10


Apesar da força econômica, da boa imagem construída no cenário nacional como polo de desenvolvimento e tido como o município que mais atrai investimentos no Mato Grosso do Sul, Três Lagoas deve enfrentar problemas para conquistar representatividade política no cenário estadual ano que vem. O motivo: um Legislativo fraco, sem brilho, caro e envolvido em episódios que só contribuem para enfraquecer ainda mais a classe política já tão desacreditada, além de manchar a imagem da Casa de Leis do município que já abrigou homens públicos altamente preparados e comprometidos com a cidade.

Além de não produzirem projetos de destaque e de integrarem o grupo de vereadores mais caros da história de Três Lagoas, os atuais representantes do povo caminham para um 2018 desastroso e podem prejudicar o futuro de Três Lagoas, se não demonstrarem capacidade, seriedade e transparência com a coisa pública. A julgar pela forma desastrosa como reagiram a divulgação neste semanário dos gastos promovidos por eles no primeiro semestre onde alguns parlamentares despreparados e dispostos a intimidar a imprensa, decidiram partir para o ataque público contra quem tem o dever de manter o cidadão bem informado.

Tomada pela ira, uma vereadora decidiu reagir contra o cidadão que nada tinha a ver com os gastos dela e acabou chamando o povo de ignorante. Outro vereador tentou chorar na Tribuna da Câmara, mas acabou virando piada na cidade. Virou meme. Para agirem de forma tão desequilibrada e demonstrarem tanta preocupação diante de uma única notícia, já é possível inclusive se perguntar: Estariam alguns dos vereadores, tentando esconder algo grave da imprensa e do cidadão?

É por essas e várias outras ações suspeitas que provavelmente a cidade decida buscar alternativas mais eficientes e sérias em 2018. Se o Brasil não suporta mais tantos escândalos e desvios, é claro que o mesmo acontece na Capital Nacional da Celulose. Para uma Câmara que já conseguiu gastar quase R$ 10 milhões em sete meses com salários, diárias, viagens, cafezinho, água, ar-condicionado, com publicidade e caríssimos buffet de luxo, os resultados práticos, além de decepcionantes são preocupantes. A pergunta que todos se fazem hoje é: Como apenas 17 vereadores conseguiram gastar tanto dinheiro? Matematicamente, cada Parlamentar já custou mais de meio milhão de reais aos cofres da cidade desde que assumiram os cargos. Sem contar que já estão no segundo período de descanso.

Avaliando mais a fundo o destempero de alguns parlamentares depois que a gastança chegou ao conhecimento do cidadão através das páginas do Jornal do Povo, já se pode concluir que político que decide calar a imprensa e que ignora a inteligência do cidadão, não tem futuro na vida pública. E quando consegue se manter, precisa fazer papel de marionete dos que acreditam deter algum poder de comando de uma Casa que pertence ao povo. Em tempos de transparência e de informação dinâmica, qualquer pessoa pode dizer que sabe em detalhes o que andou fazendo o primo do sobrinho do cunhado do irmão do seu avô. As fraudes estão ao alcance dos olhos de qualquer cidadão. A arte está em interpretá-las e divulga-las.

Um outro detalhe importante nessa relação ténue entre poder público e imprensa é que no jornais o que estão à venda são espaços publicitários. O político nunca deve confundir publicidade institucional com jornalismo sério e investigativo. Quando confunde, evidencia a intenção de usar o dinheiro público como escudo para suas falcatruas e fraudes. 

A continuar agindo de forma tão desconexa da realidade e levando em consideração a total falta de envolvimento com as questões que tanto afetam o cidadão, os vereadores interessados em disputar uma vaga de deputado estadual ano que vem, certamente não obterão sucesso. Correm um sério risco de promover um desastre político, inclusive para Três Lagoas que, por falta de novas lideranças, corre o risco de perder representatividade estadual. Nesse cenário, é importante não levar muito a sério o circo Legislativo local. A cidade precisa identificar e fortalecer novos representantes. Se é fato que o Brasil busca se renovar, então comeca a ganhar corpo também aqui na região.

Até o fechamento desta reportagem, a Câmara Municipal já havia conseguido gastar cerca de R$ 10 milhões. O que mais impressiona é que com os salários dos 17 vereadores foram gastos cerca de R$ 1,3 milhão. O restante, mais de R$ 8 milhões, foi pelo ralo com produtos, serviços e contratos que já estão sendo investigados. O cidadão aprendeu que tem o direito de ser atendido em suas demandas, principalmente quando elas dizem respeito aos abusos cometidos por homens públicos contra o dinheiro do povo que sai dos impostos que são pagos pelos cidadãos. Infelizmente a nossa Três Lagoas convive com vereadores, em sua maioria sem brilho, sem ideais claros e alguns, prestes a pagar o alto preço da irresponsabilidade na gestão dos recursos públicos. 

 

 


Redação