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Doutorando da UFMS redescobre macaco não registrado há 61 anos

O último registro havia sido feito há 61 anos pelo ornitólogo Fernando da Costa Novaes e pelo taxidermista M. M. Moreira

27 MAR 2017 - 12h:17Por Fundação UFMS

Há mais de seis décadas não registrado pela comunidade científica, no extremo oeste do Acre, quase na fronteira com o Peru e divisa com o Amazonas, mais especificamente na Reserva Extrativista Riozinho da Liberdade no estado do Acre, o macaco Parauacu de Vanzolini (Pithecia vanzolinii) foi redescoberto.

E a façanha é do doutorando em Ecologia e Conservação do CCBS/UFMS André Valle Nunes e do doutorando da Universidade de São Paulo José Serrano-Villavicencio, que juntos publicaram, em fevereiro último, a redescoberta da espécie em artigo no Check List – The journal of Biodiversity Data. “O registro aconteceu ocasionalmente. Não trabalho especialmente com primatas e estava tomando dados para o meu Doutorado – “Populações tradicionais, cães domésticos e a coexistência com mamíferos silvestres em uma reserva extrativista na Amazônia” – quando, ao voltar da mata para a vila de ribeirinhos fui chamado para ver o animal caçado por um ribeirinho, e logo reconheci ser o Parauacu de Vanzolini”, explica André.

O último registro havia sido feito há 61 anos pelo ornitólogo Fernando da Costa Novaes e pelo taxidermista M. M. Moreira, ambos pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi. Em 2014, a pesquisadora americana Laura Marsh havia revalidado a espécie – até então considerada subespécie do gênero Pithecia.

“Tirei foto, coletei crânio e pele, e então fiz contato com um colega taxonomista do Museu de Zoologia da USP, José Serrano-Villavicencio. Ficamos encantados com a espécie que há 61 anos não recebia registro de especialistas”, completa o doutorando.

Para André, o artigo tem como principal objetivo chamar atenção dos conservacionistas para a espécie e para que possam ocorrer novos estudos na região. “Essa redescoberta mostra que o Parauacu de Vanzolini persiste, pode ser encontrado na natureza, e que a comunidade científica deve estar atenta”. Muito pouco é conhecido sobre a biologia da espécie, considerada como ‘dados deficientes’ (DD) segundo os critérios da União Internacional para Conservação (IUCN).

Trabalhando com ecologia humana e o papel de cães domésticos para a caça praticada por ribeirinhos da Reserva Riozinho da Liberdade, onde vivem cerca de 350 famílias, André explica que os macacos são fontes de proteína na dieta dos ribeirinhos, assim como veados, pacas, cutias, antas e tantos outros animais.

Este é o quinto registro do Parauacu de Vanzolini desde 1956. “Fiquei muito feliz com a redescoberta, que também funciona como um incentivo para se fazer pesquisas em regiões que são subamostradas na Amazônia”, expõe.

O nome da espécie, Vanzolini, foi uma homenagem ao músico e zoólogo brasileiro Paulo Vanzolini. O gênero Pithecia é comum da Guiana até a Bolívia. De porte médio, o primata tem coloração predominantemente preta, com braços e pernas amarelados. O animal é chamado de fantasma pelos ribeirinhos, por ser muito ágil e difícil de caçar.

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