Rádios On-line

Inseminação artificial torna a pecuária de corte mais lucrativa

Com a técnica, a produção de carne anual quadruplicou no Mato Grosso do Sul

25 ABR 2013 - 08h:27Por Reprodução

Com a valorização das terras no Mato Grosso do Sul por conta das plantações de soja, cana e eucalipto, a pecuária de corte deixou de ser uma atividade lucrativa. Para driblar o baixo rendimento, a opção do momento é a inseminação artificial. Com o intuito de melhorar a qualidade do rebanho, e, consequentemente, produzir um maior volume de carne por hectare em menor espaço de tempo, a alternativa vem dando certo. Assim, de acordo com o pecuarista Fernando Garcia de Souza, a produção de carne anual quadruplicou. Um animal que durante um ano engordava 100 Kg, agora, com a inseminação, pode engordar de 400 Kg até 500 kg. “Dessa maneira, é possível se manter na pecuária de corte e não migrar para outras culturas”, disse Garcia.

Segundo o pecuarista, antigamente era oneroso investir em inseminação, pois o fazendeiro tinha que gastar muito com mão de obra qualificada durante um longo espaço de tempo para acompanhar o rebanho e detectar o período de cio de cada animal para injetar o sêmen. Hoje, a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) proporcionou aos produtores a democratização desta prática. Esta técnica permite ao produtor injetar hormônios nas fêmeas e, assim, antecipar e programar o período de cio. “Com o IATF, eliminamos inúmeros custos, entre eles o que era gasto com funcionários. Isso deixa a atividade mais barata”, explicou. Entretanto, ele ressalta que “não compensa comprar sêmen acima de R$ 15 a dose”. 

Segundo o pecuarista, os sêmens mais comercializados no Brasil são das raças Nelore (Zebuíno) e Angus, preto e vermelho (Europeu). Porém, o Nelore é a raça que mais se adaptou ao Brasil, por ser originário de clima quente como aqui. Já o Angus é nativo de região fria, como a Inglaterra, e sofre com as altas temperaturas brasileiras. Ele conta que além de comprar sêmen de outros animais para melhorar seu rebanho, também tem cinco touros produtores de sêmen. Esses animais ficam espalhados em centrais de venda do produto no país. Ele não divulgou a quantidade de fêmeas produtoras na sua fazenda.

Entretanto, por conta desse grande investimento em inseminação no Mato Grosso do Sul, o estado, em 2012, foi o líder com 14,5% do total nacional. Em segundo lugar está o Mato Grosso, responsável por 14,4% do sêmen de corte comercializado no ano passado.  A terceira maior participação nas vendas foi a de São Paulo, com 10,6% do total. A informação é da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA).

De acordo com Garcia, o fato de Mato Grosso do Sul possuir um rebanho, em 2011, de 21 milhões, contra 29 milhões de Mato Grosso, mostra que o estado sul-mato-grossense ocupa esta posição por ter um grau de tecnificação acima da média nacional.

ARROBA
Hoje, a arroba do boi no Estado está em torno de R$ 15. Conforme Garcia, o preço da carne não acompanhou a inflação. Esse é mais um dos motivos para os produtores investirem na IATF. Na avaliação dele, muitos pecuaristas estão aderindo a essa prática. “A tendência é aumentar cada vez mais, pois, quanto mais tecnologia, maior é o rendimento por área para compensar o alto preço da terra”, salientou. 

Para Garcia, o mercado da pecuária de corte não terá espaço para os pequenos produtores. Ele acredita que eles irão migrar para o gado leiteiro. “O preço da arroba está ruim e não há como os pequenos sobreviverem na atividade”, finalizou.

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