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Investigação aos interrogatórios da CIA termina sem qualquer acusação

31 AGO 2012 - 15h:09Por Redação

 O procurador-geral norte-americano, Eric Holder, considerou que as provas apresentadas em tribunal foram “insuficientes” e não permitem ir além da “dúvida razoável” e avançar com uma acusação. Chega assim ao fim a investigação que já tinha sido iniciada em 2009, quando o procurador ordenou que fossem analisados os interrogatórios da CIA relativos a 101 detidos em prisões secretas norte-americanas.


Nos interrogatórios em causa foram usadas técnicas como o warterboarding, ou simulação de afogamento, considerado um acto de tortura à luz do direito internacional. 

No entanto, os responsáveis da CIA, que se congratularam com a decisão agora anunciada pelo Departamento de Justiça, defenderam ter actuado de acordo com as normas estipuladas pela Administração do anterior Presidente, George W. Bush, após os atentados de 11 de Setembro em que dois aviões derrubaram as Torres Gémeas em Nova Iorque.

Só aquele que é considerado o cérebro destes atentados, Khaled Sheikh Mohamed, terá sido submetido a simulação de afogamento 183 vezes enquanto esteve detido numa prisão secreta da CIA na Polónia, entre 2003 e 2006.

A investigação centrou-se na morte de dois homens em prisões da CIA, cujos nomes nunca foram referidos pelo Departamento de Justiça mas que vários órgãos de informação identificaram como sendo Gul Rahman e Manadel al-Jamadi. O primeiro morreu em Novembro de 2002 numa prisão da CIA no Afeganistão, conhecida por Salt Pit, depois de ter sido amarrado a uma parede.

Al-Jamadi morreu no ano seguinte em Abu Ghraib, no Iraque, e a autópsia realizada por militares concluiu que se tratou de um homicídio. Terá sido algemado atrás das costas, com os braços acorrentados a uma janela com grades e um saco de areia na cabeça, de forma a que cada movimento lhe causava dores. Terá morrido cerca de uma hora após o início da tortura.

O director da CIA, David Patraeus, agradeceu a colaboração dos funcionários da agência na investigação, mas o encerramento do caso está a gerar protestos. Jameel Jaffer, subdirector para as questões legais da União das Liberdades Civis Norte-americana, disse que as conclusões agora anunciadas pelo Departamento de Justiça “são nada menos do que um escândalo”. E Melina Milazzo, da organização Human Rights First, considerou o anúncio de Holder “decepcionante” e sublinhou que “está bem documentado que as torturas e os abusos foram generalizados e sistemáticos após o 11 de Setembro, por isso estes casos mereciam ter sido levados mais a sério”.

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