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Presídio de Segurança Máxima da Capital utiliza a arte para ressocialização

Ideia é, em breve, transformar o espaço em uma oficina permanente de capacitação dos internos

24 ABR 2013 - 11h:15Por Redação

O Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, o Segurança Máxima da Capital, iniciou um ateliê de artesanato em que os internos desenvolvem trabalhos com pintura de telas, peças em argila, escultura entalhada em madeira, materiais em couro e em chapa de aço, pirografia, desenho artístico (retrato em grafite e carvão), entre outros.

Quatro internos atuam nessa oficina. No momento, as peças são confeccionadas, geralmente, por encomenda. E o que é arrecadado é revertido em prol dos artesãos e do trabalho na oficina, representando mais uma ocupação produtiva aos custodiados da Máxima e utilizando a arte como meio de ressocialização.  
 
“Buscamos o resgate da dignidade dessas pessoas, da autoestima, sendo uma maneira de possibilitar que esses internos exercitem os dons artísticos e se sintam capazes de atuarem como profissionais lá fora também”, destaca o responsável pelo Setor de Artesanato na unidade prisional, agente penitenciário Edson Sobrinho.
 
“Hoje sei o valor do meu dom. Dentro do presídio recebi reconhecimento pelo que eu sei fazer, e isso é muito gratificante, me dá expectativa de voltar a trabalhar dignamente”, afirma o interno Yuri Ramirez, 35 anos, que na oficina de arte da unidade prisional realiza trabalhos de pintura em tela e desenho artístico.
 
Gilton Nunes Rodrigues, 37 anos – dos quais dez deles vividos atrás das grades e, desses, três na Máxima da Capital – vê na arte de criar peças que embelezam ambientes uma oportunidade para recomeçar. Responsável pela produção do brasão institucional que enfeita a entrada do presídio, o detento produz esculturas em aço e argila. Ele afirma que na oficina está aprendendo várias coisas. “No dia a dia, a gente ensina um ao outro novas técnicas e vai se aperfeiçoando”, frisa.
 
Muito empolgado com oportunidade oferecida no estabelecimento penal, o detento Flávio Moreira Martins, 35 anos, garante que também quer fazer do artesanato seu meio de ganhar o sustento da família quando conquistar a liberdade, sem precisar “correr os riscos” que a vida no mundo crime acomete. Trabalhando principalmente com escultura em argila e entalhe de madeiras, ele ressalta que vem buscando “a perfeição” em suas peças. “Eu já sabia fazer, mas agora descobri que, de verdade, sou profissional;, as pessoas me elogiam e eu vejo que sou capaz, que sou bom; e que posso até ensinar outros presos, servir de referência. O que faltava pra mim era incentivo e eu encontrei aqui”, comenta.
 
Agnaldo Ramão, 34 anos, revela que já foi um profissional respeitado na cidade, inclusive tendo decorado casas noturnas locais, mas acabou perdendo a luta contra a dependência química e se jogou na criminalidade. No estabelecimento prisional, ele alia as várias horas que passa no ateliê se dedicando à pirografia (ele faz desenhos em peças de couro) à vontade de superar o vício para ter uma vida diferente. Segundo ele, fazer artesanato também o protege das más influências de outros presos que “não querem aproveitar as oportunidades oferecidas no presídio”.
 
De acordo com o diretor do estabelecimento penal, João Bosco Correia, a ideia é, em breve, transformar o espaço em uma oficina permanente de capacitação dos internos. Mas, no momento, um dos desafios a serem superados é conseguir dar uma melhor exposição e venda às peças. “Estamos buscando parcerias para expor esses materiais e até mesmo poder comercializá-los”, informa.
 
Outros trabalhos
Paralelamente a esses trabalhos, no setor de artesanato também são feitas peças em barbantes crus. A ação iniciou no final do ano passado, com o desenvolvimento na penitenciária do projeto “Artesania”, da FCMS, através do qual os internos receberam capacitação para a confecção dos materiais e foram credenciados como artesãos profissionais. Após o curso, foi criado um “núcleo produtivo de artesanato”, no qual detentos cadastrados produzem os materiais nas próprias celas. Essas peças são selecionadas e vendidas na Casa do Artesão de Campo Grande.
 
No Presídio de Segurança Máxima são realizadas, ainda, produção de móveis, reforma de estofados, produção de bolsas, caçambas, entre outros. Conforme a direção, a intenção é, em breve, implantar também trabalhos de bordado.
 
Serviço
O Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho está localizado na rua Indianápolis, S/N, no complexo Penitenciário do bairro Jardim Noroeste. As pessoas ou instituições interessadas em conhecer ou mesmo adquirir as peças artesanais podem entrar em contato pelo telefone: (67) 3901-1432.

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