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Tratamento com vírus da constipação devolve capacidade de sentir cheiros a ratinhos

3 SET 2012 - 15h:50Por Redação

 Foi graças a um tratamento por terapia genética realizado por uma equipa internacional, dirigida por Jeffrey Martens, da Universidade do Michigan, EUA, e publicada no domingo na edição online da revista Nature Medicine.


Os ratinhos eram portadores de um defeito genético que afecta uma proteína chamada IFT88 e que faz com que os animais não possuam, em qualquer célula do seu corpo, cílios normalmente desenvolvidos, explica um comunicado daquela universidade. Os cílios são pequenas estruturas filiformes presentes à superfície de inúmeras células, dos rins aos olhos – e as suas anomalias provocam diversas doenças: perda do faro quando atingem os neurónios olfactivos nasais, cegueira no caso de afectarem os receptores da retina, surdez e doenças renais. No ser humano, o defeito genético agora corrigido pelos cientistas nos ratinhos transgénicos é letal. Os cientistas salientam porém que ainda se está muito longe de poder aplicar os seus resultados ao tratamento da perda de olfacto nos humanos – ou de qualquer outra doença relacionada com os cílios.

Contudo, os seus resultados parecem-lhes promissores no caso da perda de olfacto, uma vez que os neurónios envolvidos poderiam ser eventualmente tratados localmente (por exemplo, com um spray nasal), sem ter de recorrer a procedimentos invasivos.

Martens e colegas inseriram, dentro das células dos ratinhos, um carregamento de genes normais que comandam o fabrico da proteína IFT88 utilizando um vírus da constipação. O vírus, ao infectar os neurónios sensoriais olfactivos – células que cobrem a parede interna da cavidade nasal na sua parte superior – inseriu o gene normal no ADN dessas células e permitiu-lhes desenvolver cílios normais, capazes de captar as moléculas odoríferas que compõem os cheiros.

Apenas 14 dias após um tratamento de três dias, constataram que os neurónios dos ratinhos implicados no olfacto tinham recuperado uma actividade normal quando os animais eram expostos a certos compostos químicos com um cheiro intenso. Por outro lado, o peso corporal dos ratinhos tinha aumentado 60 por cento, sugerindo que os animais estavam a alimentar-se melhor (a perda de olfacto faz com que os animais afectados não se alimentem correctamente, levando-os a uma morte prematura).

“O que esperamos é que os nossos resultados incitem os especialistas do olfacto a olhar também para a perda deste sentido devida a outros factores, tais como traumatismos cranianos e doenças degenerativas”, diz Martens, citado pelo mesmo comunicado. “Já sabemos o suficiente acerca do funcionamento deste sistema e agora temos de começar a procurar maneiras de reparar as suas disfunções.”

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