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A mulher como medida

27 JAN 2009 - 06h:00Por Redação

Nunca confie num homem que não respeita a mulher.
Esta frase, com a qual há de se concordar inteiramente, é do jornalista Caco Barcellos. Foi dita durante uma entrevista a Marília Gabriela no final do ano passado e é absolutamente coerente com o caráter do rapaz, talvez o repórter mais sério, dedicado e correto da TV brasileira, um batalhador incansável pela justiça, tendo o jornalismo como arma, o que lhe valeu inúmeras perseguições e desafetos, sobretudo dentre quem usa outros tipos de armas, muito mais efetivas.
Caco não se referia ao homem que respeita apenas a sua própria mulher, embora tivesse ele mesmo motivo de sobra para isso, posto que é casado com a maravilhosa estilista Bibi Barcellos, uma fada das tesouras especialista em noivas. Não, quis dizer que não se deve confiar no homem que não respeita mulheres, o gênero como um todo, com o que se deve concordar mais ainda.
O desrespeito, muitas vezes derivado do despeito, com que tantos homens (des) tratam mulheres, seja por meio do simples desprezo, de ofensas sexistas ou, infelizmente também frequentemente, por meio da violência, é revelador de fraqueza de caráter e pequenez da alma.
Daí ser entristecedor observar uma realidade em que seja tão usual esse tipo de comportamento, só não mais hediondo do que a ofensa a crianças e idosos, também trivial e repetitivo nos dias de hoje.
Já estava para escrever sobre a frase do Caco, linda e das que devem ser registradas, mas faltava oportunidade ou o chamado "gancho" --ou seja, a motivação jornalística que leva alguém a escrever alguma coisa.
E o gancho veio no dia da posse de Barack Obama. Já havia observado o clima de total cumplicidade e intimidade que permeia o relacionamento público dele e Michele. Olho no olho, atenção permanente, sorriso franco. Ambos sempre lado a lado, nunca o homem na frente da mulher. Isso eu já havia percebido em inúmeras outras aparições públicas do casal, mas ficou muito mais evidente nas diversas oportunidades em que os dois foram flagrados, tão elegantes, cordiais e cordatos, durante as longas cerimônias da posse, das quais participaram também merecendo atenção e carinho, as duas mocinhas filhas de ambos.
É encantador o olhar que Obama sempre dedica à sua mulher, seus gestos delicados e sua deferência. A se fiar no paradigma do Caco Barcellos, este comportamento revela alguém em que se pode confiar.
Um querido amigo, a quem fiz essa observação outro dia, preferiu o ceticismo e lembrou a música de David Bowie na qual ele afirma "I m afraid of americans" (“Eu tenho medo de americanos”).
Ok, motivos há, basta ter lido o noticiário relativo a eles nos últimos 20 anos.
Nunca, porém, tinha visto naquele posto tão poderoso, não apenas um negro, um jovem multicultural, um político com idéias tão atraentes, mas sobretudo alguém tão respeitoso e delicado com mulheres.
Prefiro, até segunda ordem, portanto, fazer um voto de confiança.

Luiz Caversan é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa

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