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Desafio aos Prefeitos

13 JAN 2009 - 07h:00Por Redação

Nas capitais e cidades médias de todo o Brasil, a ordem urbana ganha importância tal, que, no Rio, o prefeito Eduardo Paes criou uma super-secretaria para tratar do assunto. Mais uma vez, nas pesquisas feitas junto aos turistas que fizeram a alegria de muitas cidades (e de sua hotelaria e comércio), a questão da população de rua, mendigos, famílias de pedintes, menores vendendo os mais diferentes produtos, surge em primeiro plano como fator negativo. A ocupação de calçadas e cruzamentos demonstra uma tolerância e falta de autoridade que choca o visitante. Quando não o assusta.

No Rio, Copacabana e Centro da cidade têm uma população noturna de rua estimada em duas mil pessoas, cada um.  Brasília já sofre com o mesmo problema, agravado pela falta de segurança no próprio setor hoteleiro. Resolver este drama  deve ser ponto de honra das novas administrações e contar com o apoio policial dos estados e o financeiro dos projetos sociais do governo federal. Na verdade, no caso do Rio, tudo estaria resolvido com menos  da metade dos recursos gastos com ONGs  pelos governos para o trato da questão social.

A manutenção das ruas – Búzios agora é parada dos navios de cruzeiros, por exemplo – é outro ponto importante. Tanto que o asseio do  comércio de comestíveis nas praias, em geral, aparecem na frente da segurança pública. É que o número de vítimas da violência ou de pequenos furtos não atinge a totalidade, como são os demais casos. Qual o turista que não foi abordado por um pedinte?

A questão da saúde seria resolvida de forma bem mais simples. Pagar um pouco melhor aos médicos e aumentar o horário de atendimento dos postos de saúde. Se não de 24 horas, como vem fazendo o governador Sérgio Cabral, pelo menos de 12. A medida aliviaria os hospitais e descongestionaria os próprios postos municipais. O caminho está na gestão e no combate ao desperdício e ao absenteísmo de médicos e enfermeiros, que é sabidamente grande. Aliás, no Brasil do serviço público, o controle de ponto deixou de existir há muito tempo. 

Ao melhorar a qualidade de vida da população de nossas cidades, as condições para atrair investimentos geradores de empregos melhoram também. E, no turismo, com esse câmbio mais realista, pode estar uma maneira de aliviar as dificuldades do ano que se inicia.

A vantagem de muitos prefeitos reside ainda na juventude. Embora já experientes, são todos pós-abertura, sem  o ranço ideológico que fez com que a tolerância  e a passividade diante das transgressões (construções irregulares, favelização, calçadas dominadas por ambulantes etc) nos fizesse chegar a esse caos. Confundiram as coisas e o resultado foi este. Gilberto Kassab, Eduardo Paes e Nelson Trad,por exemplo,  parecem governar olhando para frente e não para um passado de tantos erros, que, nos últimos 20 anos, nos fez regredir tanto em termos de educação e respeito.

Nada de importante para os prefeitos demanda recursos extraordinários. Mas, sim, personalidade, vontade política e coragem.


Aristóteles Drummond é Jornalista e Administrador de empresas e Relações Públicas

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