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Lendas!... (... o ferroviário cancioneiro Áureo Marches)

24 DEZ 2008 - 06h:00Por Redação

À primeira vista, você se assusta. Um ‘lorde’, um nobre aristocrata inglês se deliciando com as ruas de nossa cidade.
Alto, muito claro, olhos límpidos e esverdeados, cabelos castanhos bem claros, lisos e sempre penteados, trajava terno que lhe caía admiravelmente bem, ornado por bela gravata ou mesmo de camisa esporte; trazia um sorriso amigo que o colocava no devido lugar, mostrando boca voluntariosa marca por duas alvas carreiras de dentes mensurados um a um.
Este o meu amigo, o amigo de minha família, companheiro de todos os momentos e de todos os perigos.
Sensato, ponderado, pensava e media as palavras e suas opiniões. Nunca fôra afoito e muito menos açodado. Seus conselhos eram ouvidos, disputados e seguidos à risca, especialmente quando o assunto era política-partidária, em particular o antigo, saudoso e eterno ‘PSD’.
Natural de Campo Grande, de lá veio com dois anos de idade, aqui chegando com todos os  familiares no ano de 1.914.
Família pioneira, mirando exemplo dos pais, o italiano João Marchesi, e a senhora mãe, espanhola, Dona Antonia Perez, trazia na mistura do ‘sangue caliente’ e sonoridade e doçura do ‘bel canto’, as marcas que o distinguiriam por toda a vida.
No ano de 1.924, ajudando os velhos pais, e já na cidade que era sua, começa a batalha que nunca terminara. Aos doze anos consegue colocação na querida NOB. Adentra duas oficinas como ‘aprendiz de mecânico’; vai a ‘oficial mecânico’ e ‘torneiro’, passando a ‘mestre’ de ambos os ofícios por concurso invejável.
Laborando dia após dia, com afinco, dedicação, exemplo e estímulo, por merecimento e aprovação de todos,  é indicado ‘Chefe das Oficinas” em Três Lagoas.
Pouco depois, o galardão final : ‘Inspetor Chefe’. Era o reconhecimento geral e a coroação de um existência de trabalho, de dignidade, de honradez.
Sempre sorrindo, aposenta-se no ano de 1963 : ‘quarenta anos de carinho e amor (...)’.
*Constituiu família no ano de 1.936, em prolongada companhia da Sra. Albertina Mendes Marchesi, oriunda de uma das mais tradicionais famílias aqui radicadas, donde nasceram os filhos José Mendes Marchesi e Manoel Mendes Marchesi.
Notabilizou-se, também, como saxofonista e clarinetista, integrando a ‘Orquestra Irmãos Marchesi’, que tanto alegrou os bailes de carnaval dos clubes Concórdia e Grêmio.
Também era conhecedor da mística ‘arte real’, de todos os quadrantes de uma oficina, aquela mesma na qual iniciou aos tenros doze anos de idade.
Despediu-se de todos, como de sua querida Três Lagoas, aos 18 de dezembro do ano de 2.000, aos oitenta e sete anos e meio. 
*Esta matéria é a última escrita por meu ‘Pai’, até então interminada, cujos originais me foram entregues ainda quando em vida.
Por força do respeito e da ética ao leitor(a), informo que,  partir do  asterisco (*),  as palavras em itálico não são de autoria de meu ‘Pai’, mas minhas, seu filho, cujos dados  manuscritos com “Ele’ se encontravam, os quais fornecidos pelos familiares do Sr. Áureo Marchesi.   
Seus artigos (‘Lendas !...) sempre foram publicados às sextas-feiras, observando que esta (dia 26/12/08) é a última do ano.
 Todos merecemos este presente, especialmente JUAREZ MANCINI, ainda que terrenamente tardio.

Juarez Mancini foi Membro da Academia Maçônica de Letras de MS

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