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Lixo: Reponsabilidade partilhada

27 DEZ 2012 - 08h:09Por Redação

Pode-se dizer que o lixo tem-se tornado um grave problema para a sociedade e um entrave para as administrações municipais. No Brasil, grande parte dos resíduos que são produzidos nas residências vai parar nos lixões a céu aberto, o que causa poluição do solo, da água e do ar. Lixo em local inadequado é sinônimo de graves problemas ambientais. Quando jogado nas ruas e terrenos baldios, pode causar enchentes, maus odores e má estética; afinal, nenhuma cidade se torna admirável com lixo espalhado pelas ruas. Já os resíduos sólidos chamados de orgânicos (cascas de frutas, restos de alimentos, folhas e talos), quando estão em decomposição, liberam gases de efeito estufa que concorrem diretamente para o aquecimento global.

Vale lembrar que o volume e a composição dos resíduos sólidos residenciais vêm mudando. Além do aumento no volume de lixo em razão da elevação do consumo, temos um acréscimo considerável da participação do lixo inorgânico na totalidade do que é gerado nos domicílios. Essa mudança está relacionada à crescente participação dos materiais das embalagens, que, em muitos casos, quando dispostas em locais inadequados, se tornam depósitos de água, que, por sua vez, favorecem a proliferação de doenças como a dengue.
 
Tendo em vista tal realidade, qual seria a solução mais prudente? Quem é o responsável pelos resíduos sólidos? 

A solução está ligada diretamente a toda a sociedade. Temos que buscar e apoiar iniciativas governamentais e empresariais relacionadas à coleta seletiva e à reciclagem. Devemos priorizar mudanças de hábitos pessoais, como redução do consumismo, seleção de produtos que não agridem o meio ambiente, eliminação de desperdícios, reutilização do que for possível, e, claro, separação de materiais que podem ser reciclados.
 
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que foi aprovada em 2010, considera que os resíduos sólidos são de responsabilidade do poder público, das empresas e do próprio cidadão; uma responsabilidade partilhada, portanto. Estabelece que todos os municípios devem proporcionar a coleta seletiva para a população e que os resíduos sejam dispostos em aterros sanitários, e não em lixões. 

Aqui não cabe a nós nomear um único município, mas questionar por que a maioria das administrações municipais não implanta a coleta seletiva. Haveria interesses econômicos na não implantação da coleta seletiva por parte das empresas terceirizadas que coletam o lixo? Cadê o poder legislativo para fiscalizar tal fato? 

A reciclagem evita a poluição, já que diminui o volume de resíduos que vão para o lixo, e a extração de matéria-prima virgem, amenizando o problema do esgotamento de recursos naturais. Para chegar até ela, existe uma trajetória relacionada aos custos com a coleta seletiva, triagem, transporte e armazenagem. Infelizmente, o cálculo que vem sendo feito tem por base a comparação entre a coleta seletiva e a coleta convencional. É certo que a seletiva é mais onerosa, mas justifica-se por ser compensatória nos ganhos sociais e ambientais.
 
O fato é que muito dinheiro se perde no lixo. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o Brasil deixa ir para o lixo R$ 8 bilhões anualmente em materiais que poderiam ser reciclados. Segundo o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), existem cerca de 400 cooperativas e 1 milhão de catadores que tiram do/no lixo o sustento de suas famílias. Percebam que o lixo é de nossa responsabilidade e, assim, temos que fazer nossa parte!

*Marçal Rogério Rizzo é economista e professor; Camila Brunassi de Araujo e Gláucia Nakamura Takata são acadêmicas de Administração da UFMS – Campus de Três Lagoas 

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