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Migalhas ao invés de pão!

30 JAN 2009 - 06h:00Por Redação

Ou esse pessoal não entende do riscado ou está fazendo a população de besta. Anteontem (28), no site da Prefeitura Municipal, a assessoria de comunicação noticiou mais uma “boa ação” dos parceiros de um empreendimento já considerado como dos maiores do mundo que está se instalando no Município: o complexo industrial VCP/IP. A Secretaria Municipal de Saúde recebeu como doação cinco computadores com impressoras, “atendendo aos objetivos do Plano Básico Ambiental (PBA) das empresas em questão, com objetivo de integrar os impactos do empreendimento na cidade”.
Bem, não resta dúvida que tais doações - e aí se inclui as ambulâncias, viaturas para as polícias e otras cositas más - beneficiam a estrutura da administração municipal e consequentemente são revertidas no atendimento à população. No entanto, conforme disse Gerson Nogueira (presente no evento, junto com a vice-prefeita Márcia Moura, a secretária de Saúde Elenir Neves), responsável pela área de segurança e medicina do trabalho da VCP, desde o início da construção da fábrica (2007), “a empresa assumiu compromissos com a comunidade”, Quéquéisso!, exclamou a coruja que tudo vê e ouve, chiando estridentemente. O piado foi ainda maior quando o dito ratificou: “sempre fomos prontamente atendidos pela prefeitura e com isso identificamos todos os problemas de Três Lagoas”.
A coruja arregalou ainda mais os enormes olhos e bateu o bico no chão como que riscando faca no terreiro e (incrível) falou: “leva esse cara lá para a viela E do Jardim Alvorada, para ver a situação que se encontra aquela comunidade, atolada na lama, sem cama para dormir, nem fogão para cozinhar os alimentos que se estragaram pela enxurrada”.
“Faça-me o favor”, arrepiou a coruja, acrescentando que, “se esse eles têm identificados os problemas da cidade, porque ainda – ao invés dessas doaçõezinhas – não abraçaram causas mais importantes para resolver, de verdade, as questões que atingem diretamente a comunidade que eles disseram ter compromisso. Estrutura profissional (engenheiros, operários etc) tem para dar suporte a projeto de drenagem que, pelo menos, acabe com os alagamentos anuais no Jardim Alvorada”.
Não se discute as razões da coruja, mas também não é de responsabilidade da VCP/IP a execução de obras que estão afetas à administração municipal. Porém, afinal, qual foi o compromisso acordado pela Prefeitura com as empresas em questão no tocante a volume financeiro como contrapartida aos impactos ambientais que causaram e que ainda vão causar? A Cesp – até por força da impertinência do promotor de Meio Ambiente Antônio Carlos Garcia de Oliveira – está, agora, retornando os impactos causados quando da construção da barragem de Jupiá. Um desses retornos está sendo executado atrás do posto fiscal, à beira da BR-262: um grande centro esportivo e de lazer. Obra que está custando caro para a Cesp.
Então? Quanto custa desafogar (literalmente) o bairro Jardim Alvorada? Quanto custa fazer com que aquela comunidade também seja atendida pelo tal de PBA da VCP/IP?
No final da matéria do site da Prefeitura, a vice-prefeita Márcia Moura diz que todas as ações serão bem-vindas. “Agradecemos o apoio e a atenção da VCP e IP que traz tantos benefícios à comunidade de Três Lagoas”, afirmou.
Voa, coruja, vá piar noutro galho!

Avlis Amil é jornalista

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