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"Minha candidata"

5 DEZ 2008 - 06h:50Por Redação

"Eu acredito que a minha candidata vai ocupar o vácuo que será criado com a ausência do nome de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 2010." Minha candidata, na frase citada no início desse texto, é a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). O autor da citação é ninguém menos do que o ministro Tarso Genro (Justiça), classificado nos bastidores do governo como adversário político de Dilma e que também seria postulante à vaga de candidato petista à sucessão de Lula.

Tarso sinaliza claramente que não está mais no páreo e diz não ser adversário da ministra como apontam seus inimigos dentro do partido. Que não são poucos, diante de sua queda por uma polêmica e pela defesa insistente da tese de necessidade de renovação partidária. Leia-se afastar do comando o antigo grupo do ex-ministro José Dirceu.

Na opinião do ministro da Justiça, Lula não trabalha hoje com outra hipótese que não seja a de lançar sua chefe da Casa Civil à sua sucessão em 2010. Daí ter saído de campo e afirmar que ela é sua candidata. Diante da surpresa do jornalista pela citação, o ministro volta a dizer a frase, com ênfase ainda maior ao "minha candidata".

Tarso repete a avaliação de que a saída de Lula da disputa presidencial cria um vácuo político. Ele lembra que, depois do petista, não surgiu nenhuma grande liderança política no país. E na próxima sucessão presidencial, afirma, quem conseguir preencher esse vácuo será o novo presidente do país. "Tanto a Dilma como o [José] Serra vão disputar esse vácuo. Eu acredito que a minha candidata vai ocupar esse vácuo", analisa o ministro da Justiça.

Questionado qual seria o nome alternativo ao de Dilma Rousseff, Tarso insiste não acreditar que seu chefe, o presidente Lula, trabalhe com outro nome. Diante da insistência, numa hipótese de a ministra da Casa Civil não se viabilizar, o que ele não acredita, Tarso cita os nomes do governador da Bahia, Jaques Wagner, e do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. O ministro demonstra sinceridade ao excluir seu nome na lista nessa hipótese. Se estiver só fazendo o tradicional jogo da política, o tempo poderá mostrar. Mas dificilmente haverá essa possibilidade. Afinal, dentro do governo, ninguém duvida que Dilma Rousseff ruma para ser a candidata petista em 2010.

A eterna noiva

Tarso Genro avança em sua avaliação sobre a sucessão de 2010 dizendo que o partido que desejar vencer a disputa terá de ter a seu lado o PMDB. "Qualquer partido que quiser ganhar a eleição terá de trazer o PMDB para sua aliança", diz o ministro da Justiça. Quem vai conseguir fechar esse movimento, PT ou PSDB? Não por outro motivo caciques tucanos como José Serra e Aécio Neves estão participando da articulação para eleger o deputado Michel Temer (PMDB-SP) presidente da Câmara dos Deputados. Bem, mas dentro do PMDB há quem ainda sonhe em trazer para o partido o governador mineiro Aécio Neves e fazê-lo candidato em 2010.

Se não der certo, ou ele topar e perder, os peemedebistas costumam dizer que, seja qual for o próximo presidente, Serra ou Dilma, ele terá de governar com o PMDB. Então por que não tentar lançar um nome de peso para a sucessão, movimento que tenderia a aumentar ainda mais as bancadas do partido na Câmara e no Senado. O que eleva o cacife peemedebista. Só que nome de peso eles não têm. Só mesmo se Aécio topasse embarcar nessa aventura. A conferir.

Valdo Cruz é repórter

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