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O cinquentenário de Mato Grosso do Sul

12 DEZ 2012 - 09h:00Por Redação

 Este ano o Mato Grosso do Sul comemorou 35 anos de existência. Daqui a 15 anos fecharemos a data simbólica do cinquentenário. Meio século de existência não é pouca coisa. Essa efeméride, com os elementos mágicos que representa, pode começar a mexer com a nossa imaginação de várias maneiras. Nos acostumamos a olhar a história como uma viagem despedaçada rumo ao passado. Podemos também fazer o caminho inverso: inventando desde já o futuro. Muita gente pode pensar que falar sobre os 50 anos de Mato Grosso do Sul em 2012 é muita precipitação. Não é.  

No Brasil tudo demora a acontecer. Há muita burocracia, muitos trâmites, muitas negociações setoriais, ou seja, temos a mania da improvisação e sempre fazemos as coisas na última hora. Claro, isso pode ser mudado quando começamos a discutir as coisas com tempo, mesmo que haja altos e baixos. O processo somos nós que criamos. 

Acho que os poderes públicos, os setores culturais, as universidades, entidades de classe, os segmentos interessados da sociedade, enfim, a massa pensante do Estado devia começar a debater nosso cinquentenário desde já, mesmo que de forma diletante e caotizada. Transformar o tempo em marco histórico de busca de afirmação de nossa identidade poderá nos levar a elaborar uma síntese emblemática do que somos perante o País. O evento poderá ser definidor do papel que ocuparemos na história do Brasil no próximo século.  

Em 2014 haverá eleição para governador do Estado. Não seria interessante começar a comprometer possíveis candidatos com projetos de longo prazo? No início desse debate poderá haver apenas tempestade de ideias e isso pode ser feito a custo quase zero. Depois, conforme tudo for engrenando, podemos começar a materializar os projetos e as metas a serem alcançadas. Nesse caso, o pensamento coletivo poderá ser um aliado poderoso. 

O prazo de 15 anos é mais do que suficiente para se criar um acontecimento surpreendente. Pode-se inclusive estabelecer esse referencial para se pensar o Estado em termos macro. Devemos começar a nos preocupar com elaboração e organização de dados sobre as mais diversas áreas: economia, política, sociologia, educação, saúde, história, antropologia, tecnologia, artes etc., para compreender como nos desenvolvemos nos primeiros 50 anos e qual será a agenda que devemos construir para sermos um Estado especial no amplo e complexo jogo federativo. 

Além disso, devemos estabelecer planos de longo prazo vislumbrando o ano de 2027 nos principais pontos do desenvolvimento humano, abrangendo questões como urbanização, infraestrutura logística, políticas de inclusão social, proteção ambiental e outros pontos convergentes de crescimento real das potencialidades do Estado. 

Devemos também pensar na construção de marcos arquitetônicos venham traduzir simbolicamente o nosso cinquentenário de forma grandiosa. Temos que parar de pensar pequeno. Temos que superar o ranço e mesquinhez provinciana. Profissionais de várias áreas (artistas, arquitetos, engenheiros, designers, professores, pesquisadores) deviam ser reunidos para discutir e criar projetos que possam ser deixados para as gerações futuras como herança de nossa simbologia divisionista. Essas coisas fazem a diferença. Seria algo inédito na história do País.  

Sei que alguns podem torcer o nariz para esse tipo de proposta, mas mesmo assim não vou me omitir: o governo devia organizar uma comissão de notáveis para cuidar do assunto, criando o selo do cinquentenário para carimbar projetos e iniciativas que confluam em direção a esse projeto de grande envergadura. Poderia dar incentivos fiscais e estabelecer um fundo financeiro para gerir esse processo dentro de um cronograma de médio e longo prazo.  Por exemplo: propostas de pesquisas e estudos visando ser apresentado no ano do cinquentenário ganhariam apoio governamental. Penso que isso é muito mais útil e interessante do que ficar querendo criar um percentual do orçamento para o setor cultural, que, a meu ver, é algo dissipador.  

Elaborar ao longo do tempo um projeto estruturante que coloque no plano das ideias o significado da criação de nossa unidade federativa, contextualizando elementos díspares em unidades discursivas poderá conferir uma eficácia importante para o debate sobre qual é o papel de Mato Grosso do Sul no cenário nacional. 
 
Acredito que uma geração deve deixar um legado para a próxima. O que as pessoas que viveram os primeiros 50 anos do Estado deixarão para aquelas que viverão o cinquentenário posterior, quando completaremos o primeiro século de existência? Acho que estas respostas podem mexer com a nossa imaginação. Claro que não estaremos vivos até lá. Mas nossas memórias podem estar. E isso fará sempre uma tremenda diferença.
 
*Dante Filho é jornalista (dantefilho@terra.com.br)

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