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Tolerância

13 DEZ 2008 - 06h:00Por Redação

Puta que pariu! Melhor não a confundamos com paciência, que é outra virtude e exige mais calma na interpretação. O mundo é feito da coexistência de contrastes, diferenças e oposições. Que insípido seria se todos fôssemos iguais. Com vários critérios, constrói-se a tolerância.
Não é fácil ser tolerante. Quando alguém crê que alcançou um nível satisfatório, aparece alguma situação que o põe em xeque. Que tão tolerantes conseguimos ser quando está em questão uma crença, uma convicção ou um interesse?
A tolerância às vezes nos parece pôr à prova. Quebra a bicicleta justo do que mais gosta dela, embora a use tanto quanto seus amigos. Se alguém toca um instrumento musical, dá problema justo nele e não no televisor que está há vinte anos sem qualquer manutenção.
E por falar de eletrônicos, não tenho sorte com computadores. Em menos de um ano, é a segunda vez que vai à assistência técnica por problema no monitor. Isso sem mencionar os travamentos de equipamentos anteriores, ou a lentidão. Melhor tolerar o seu jeito de ser.
O maior exercício de tolerância é quando alguém traz à mesa assuntos políticos, religiosos ou de orientação sexual. Aí a discussão fica incandescente porque é bem difícil chegar a um consenso ou a paixão move o indivíduo.
Dividir moradia também exige a tolerância por mais que qualquer acordo facilite a convivência, o que se deve às diferenças de costumes e organização. O mesmo serve para o ambiente de trabalho, onde a articulação entre as pessoas pode sofrer atrito se não se emprega a tolerância.
Não me esqueço de quando meu avô derrubou a lata de tinta enquanto pintava um cômodo. Ouviram-se dezenas de palavrões, alguns antiquados, outros frutos do neologismo, entre tantas variedades que se uniam numa sinfonia.
Há provas para desenvolver a tolerância consigo mesmo. Situação idêntica é quando se quebra algo sem querer ou se derrubam produtos de estante de supermercado como aconteceu comigo. Vários ficaram olhando; senti-me envergonhado. Tem que aceitar e pagar o preço.
Porém, nada mais provocador que esperar horas numa fila até ver alguém furá-la porque conhece outro que estava esperando nela ou é fulano de tal que se crê mais importante a ponto de passar na frente. Aí recomendo fingir que não existe a tolerância, ou melhor consentimento, e partir para a advertência.
Falarei um pouco de algumas instituições tradicionalmente poderosas no Brasil. A Igreja católica é uma que prega a tolerância, entre outros valores que soam bonitos e universais, mas é a que mais discrimina outros credos e formas liberais e modernas de vida.
Tenho receio, ainda, de que o nível de tolerância das instituições públicas baixe. Policiais achando que podem tratar todos os cidadãos como delinqüentes até que se prove o contrário; militares e políticos abusando da autoridade como se o Brasil estivesse revivendo o passado; e logo a “lei seca” de proibição de qualquer consumo de álcool antes de dirigir, que estimula a corrupção nos acordos ilegais entre motoristas infratores com policiais e entre estes e proprietários de bares.
O país tem que priorizar o respeito ao próximo e às leis, estimular o entendimento e a tolerância, no entanto sem cercear a liberdade de defender-se, manifestar-se e viver.
A tolerância que mais se discute é a de reconhecer que as atitudes e opiniões alheias podem diferir e com todo direito. Neste caso, fica difícil falar de certo e errado, melhor e pior, conforme e desprezível, visto que cada um tem suas motivações e objetivos.
A tolerância, ainda, é muito mais que este reconhecimento. É também a busca do diferente, do contrário e do divergente, que nos faz rever os pontos de vista que tínhamos e, quiçá, reformar atitudes e opiniões. O ideal é que parisse com esta disposição.

Bruno Peron Loureiro é bacharel em Relações Internacionais

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